Réveillon volta a ser marcado por cancelamento de festas na Europa

Em Paris, uma das festas de Réveillon mais tradicionais na Europa, as celebrações foram canceladas pela prefeitura. Foto: Canva


Sem queima de fogos, sem festas em casas noturnas, sem aglomeração. Parece o Réveillon de 2021, o primeiro ano da pandemia de Covid-19, mas será assim a virada para 2022 em mais da metade dos países com a maior concentração de brasileiros na Europa.

Nas últimas semanas, diante do avanço da variante Ômicron e do aumento de casos de coronavírus, os governos decidiram cancelar ou limitar os festejos de Réveillon. O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou, em coletiva de imprensa antes do Natal, que era melhor “um evento cancelado do que uma vida cancelada”.

Na Holanda, a capital Amsterdã foi uma das primeiras a anunciar, ainda em novembro, o cancelamento das festas de Ano Novo. Após uma série de restrições parciais, o país entrou em lockdown no dia 19 de dezembro, com fechamento do comércio não essencial.

Nas datas festivas de Réveillon, o número de visitantes permitidos por dia é de quatro pessoas em cada casa. Em espaços abertos, o limite é de duas pessoas por encontro, esclarece o governo holandês, que recomenda a realização de autotestes antes das celebrações. 

Em Portugal, as principais cidades, como Lisboa, Porto e Coimbra, cancelaram as festas de passagem de ano nas primeiras semanas de dezembro. O governo também determinou, desde o Natal, o fechamento das casas noturnas em todo o território até, pelo menos, 9 de janeiro. Nas ruas, não serão permitidos grupos com mais de 10 pessoas e o consumo de bebida alcoólica nas vias públicas é proibido.

Apesar das regras que limitam o contato social em locais públicos, não há restrição do número de pessoas nas festas familiares, nem proibição de viagens entre municípios, como no ano passado. As autoridades de saúde recomendam, no entanto, que as pessoas façam testes antes dos encontros.

Medidas semelhantes entraram em vigor na Itália no último fim de semana, quando as casas noturnas foram fechadas e os eventos públicos proibidos. Diferente de 2020, não há toque de recolher nem limite de pessoas que podem celebrar em casa. 

Na Alemanha, após um Natal sem restrições, o governo avançou com medidas que entraram em vigor na última terça-feira (28). As casas noturnas foram fechadas e foi imposto um limite de convidados nas celebrações familiares. 

De acordo com as regras, o máximo de pessoas vacinadas ou recuperadas reunidas, tanto em locais fechados quanto ao ar livre, não poderá passar de 10. Ao mesmo tempo, nenhum anfitrião deverá receber mais do que dois convidados não vacinados na mesma ocasião. 

Sem festa na Champs-Elysées

Em Paris, um dos Réveillons mais badalados da Europa, a prefeitura cancelou a festa na Champs-Elysées e também impôs regras específicas para os festejos, que incluem a proibição de beber na rua e o uso de máscaras ao ao livre.

A França também foi um dos primeiros países europeus a determinar o fechamento das casas noturnas. A medida é válida até janeiro. Apesar das medidas, o governo não impôs nenhuma limitação ao número de pessoas que podem participar de reuniões familiares.

A queima de fogos de artifício também foi proibida em Bruxelas, capital belga. O país, que desde outubro impõe restrições para conter a pandemia de Covid-19, também fechou as casas noturnas ainda no final de novembro.

Para as celebrações familiares, o governo não determinou limitações de pessoas, no entanto, incentiva que os cidadãos estabeleçam o mínimo de contatos nas festas. Além disso, o autoteste é recomendado, bem como a orientação de ficar em casa, caso a pessoa apresente algum sintoma do vírus.

Na Irlanda, as discotecas também foram fechadas pelas autoridades. Os pubs e restaurantes só podem funcionar até às 20h. O governo recomenda que um máximo de quatro famílias (uma de cada casa) se reúna neste período, mas anunciou que entende se houver um número maior de pessoas que não sejam do convívio familiar ou pertencentes à rede de apoio (chamadas de ”bolhas sociais” no Reino Unido), durante a passagem de ano.

Espanha, Reino Unido e Suíça mantém festividades

No Reino Unido, que bateu recorde de infecções diárias nesta semana desde o início da pandemia, com 189 mil novos casos de Covid-19 registrados na última quinta-feira (30), o governo decidiu manter a liberação das festas de Réveillon e a abertura das casas noturnas. No entanto, a celebração em Londres, na tradicional praça Trafalgar, já havia sido cancelada pela prefeitura no dia 20 de dezembro, por causa da variante Ômicron. 

Na Espanha, cada governo regional possui autonomia para determinar as regras. Na cidade de Madri, está mantida a tradicional celebração de Réveillon na Puerta del Sol, um dos principais pontos turísticos madrilenhos. A prefeitura também realizará uma queima de fogos à meia-noite. Na capital espanhola, as casas noturnas também seguem abertas. A região da Catalunha é que introduziu o maior número de regras para conter o coronavírus, impondo o fechamento total das atividades noturnas.

Na Suíça, o Conselho Federal não determinou nenhuma medida especial para as datas festivas. As discotecas do país permanecem abertas, mas só podem ser frequentadas por pessoas vacinadas ou recuperadas com um teste negativo adicional para Covid-19.

“Celebrar o retorno”

Em mensagem de Ano Novo, o presidente da OMS, Tedros Adhanom, afirmou esperar que, no final de 2022, seja celebrado “um retorno às normas pré-Covid-19, quando nos reunirmos com nossas famílias e comunidades para celebrar juntos e valorizar a companhia e o amor uns dos outros”. O líder da organização ainda ressaltou que isso pode ser possível, com o alcance da meta de 70% população mundial vacinada, o fortalecimento da saúde global e investimentos direcionados aos cuidados de saúde primários. A OMS ainda orienta que, neste Réveillon, as pessoas evitem lugares fechados, ventilem os espaços, mantenham a distância social e utilizem máscaras.

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