Pandemia: retomada de restrições gera protestos em países europeus

*Com informações de Tauana Saldanha

Nos últimos dias, pelo menos sete países europeus retomaram restrições para conter a nova onda da Covid-19, gerando protestos de parte da população em diversas cidades. As ações ocorrem em meio a um aumento de 8% nos casos da doença e 5% nas mortes no continente, conforme o relatório semanal da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com a entidade, a Europa é a única região do mundo, neste momento, que registra alta no número de óbitos.

A diferença do outono passado para este é que a maior parte das medidas dos governos europeus é dirigida às pessoas que ainda não se vacinaram contra o vírus. Para o Dr. Hans Klugue, diretor da OMS na Europa, a imunização é a ferramenta “número um” que permitirá “salvar vidas e manter as sociedades abertas”. A autoridade de saúde define a situação como “profundamente preocupante”.

A Áustria, que tem uma média de pouco mais de 65% de população vacinada, foi o primeiro país Europeu a anunciar a imunização contra a Covid-19 obrigatória. Após três semanas da reintrodução de restrições, especialmente para não imunizados, o país vai entrar em novo lockdown a partir desta segunda-feira (22).

Parte da população, descontente com as novas medidas, saiu às ruas da capital na tarde de sábado (20) para protestar. Segundo comunicado oficial da Polícia de Viena, 40 mil pessoas participaram da manifestação.

As autoridades não informaram o número exato de detidos, mas confirmaram que “várias” pessoas foram presas. Ainda de acordo com a força de segurança, os policiais “foram alvejados com garrafas e fogos de artifício” e que os profissionais usaram spray de pimenta contra  os manifestantes. 

Mais de 50 presos nos Países Baixos

Na Holanda, manifestantes também foram às ruas protestar contra um confinamento imposto no sábado passado. O horário de funcionamento do comércio está limitado e o trabalho remoto é, novamente, recomendado.

Nas cidades de Haia e Roterdã os protestos foram violentos, segundo as forças de segurança. O ministro de Segurança e Justiça, Ferd Grapperhaus, emitiu uma declaração classificando a violência como “criminosa”.

De acordo com a polícia holandesa, 51 pessoas foram presas até então, mas novas detenções podem ocorrer, destaca o comunicado oficial. Três manifestantes ficaram feridos e foram hospitalizados. Ainda de acordo com as autoridades, um policial foi internado após sofrer um ferimento na perna e outros tiveram ferimentos leves.

Manifestantes e policiais ficaram feridos no protesto. Foto: Divulgação / Polícia holandesa

Outro país que determinou novas regras é a Bélgica. A partir desta semana, o trabalho remoto será obrigatório quatro dias na semana, sempre que a função permitir. O governo belga vem aumentando, a cada semana, o grau de restrições, expandindo o uso do certificado de vacinação e de máscaras.

As determinações levaram manifestantes às ruas de Bruxelas neste domingo (21). Vídeos postados nas redes sociais pelos próprios manifestantes mostram cartazes contra os certificados de vacinação e das restrições que estão em vigor no país. A polícia belga ainda não emitiu comunicado sobre o evento.

Na Croácia, que tem 50% da população vacinada, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, também foram registrados protestos neste final de semana, após o governo ampliar o uso dos certificados de vacinação e realizar uma ampla campanha de incentivo à imunização.

De acordo com informações da polícia de Zagreb, “muitos milhares” de manifestantes foram às ruas. As autoridades confirmaram que vão investigar agressões contra jornalistas que cobriam o protesto. Outros países como República Tcheca e Eslováquia também anunciaram novas restrições, focadas, principalmente, nas pessoas não vacinadas contra a doença.

Alemanha com 50% de aumento nos casos de Covid-19

Na última semana, segundo o relatório da OMS, a Alemanha teve um aumento de 50% no número de novos casos da doença, sendo o país europeu com maior expansão da Covid-19 no continente. Em meio à transição de governo e resistência da vacinação por parte dos cidadãos, o país aprovou uma lei que permite determinar novas restrições até 19 de março de 2022.

Governos estaduais e municipais limitam, cada vez mais, a permissão de pessoas não vacinadas em locais públicos e privados. Nos próximos dias, a exigência de vacina ou teste negativo serão obrigatórias para o uso do transporte público, enquanto em algumas cidades, como Berlim, apenas vacinados podem entrar em restaurantes.

Diferente de outros países, a Alemanha não teve registro de manifestações expressivas contra as medidas. No entanto, em duas cidades próximas da fronteira com a Holanda, centros de testagem da doença foram incendiados. De acordo com comunicado oficial da polícia, “um contexto político não está descartado” e será investigado. O prejuízo estimado é de mais de 10 mil euros.

Novas restrições em discussão em Portugal

Mesmo em países com alto índice de vacinação, como é o caso de Portugal, o governo estuda retomar medidas, após os casos da doença dobrarem nas últimas semanas. Especialistas em saúde foram ouvidos na última sexta-feira (19) para a tomada de decisões, que deve ocorrer na próxima quinta-feira (25), em Conselho de Ministros.

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