Portugal: casos de Covid-19 dobram em um mês e governo avalia novas medidas


Desde o mês passado, Portugal enfrenta uma nova onda de casos de Covid-19 no país, que já faz o governo luso repensar os próximos em relação ao enfrentamento da pandemia. Nos últimos 30 dias, a média de casos de coronavírus mais que dobrou em Portugal, subindo 117%, conforme dados oficiais do Ministério da Saúde. Somente nesta quarta-feira (17), o país teve 2.527 novas infecções confirmadas, o número mais alto desde o fim de agosto, quando o país ainda estava sob algumas restrições.

Com o aumento, o governo convocou, nesta semana, uma reunião com especialistas em saúde. O encontro está marcado para a próxima sexta-feira (19), quando serão ouvidas as recomendações para a decisão sobre quais medidas poderão ser tomadas nas próximas semanas. 

Publicamente, o primeiro-ministro, António Costa, já adiantou que não prevê a necessidade de decretar um novo estado de emergência, necessário para aplicação de regras mais rigorosas. Atualmente, Portugal está sob estado de alerta, o nível mais baixo entre as categorias existentes no país.

A maior parte das restrições no território foram retiradas no início de outubro, com a reabertura das casas noturnas e o fim da obrigatoriedade de certificado ou testes em restaurantes. Foi também em 1° de outubro que o governo deixou de recomendar o trabalho remoto (home office).

O enfermeiro Mário Macedo, que atua na linha de frente da pandemia, considera que incentivar o retorno ao trabalho em casa é uma das principais medidas a serem tomadas no momento. Em entrevista ao Agora Europa, o mestre em Saúde Pública também ressaltou que é importante reforçar a testagem da população.

Em Lisboa, o programa de testes gratuitos foi estendido até o fim de fevereiro. O profissional ainda destaca que o foco das medidas deve ser no interior e que a utilização das áreas ao ar livre deve ser incentivada: “Máscaras na rua e selar bancos do jardim, por exemplo, é contraproducente”, avaliou o especialista. 

Diferente de outros países da Europa central e do leste, Portugal tem uma alta cobertura de vacinação, que chega aos 90%. Segundo Mário, o aumento dos casos era esperado mesmo com a imunização: “Temos é bem menos do que teríamos com a população totalmente suscetível, o mais importante, a pressão hospitalar não tem comparação, muito menos internamentos em enfermaria e em UTIs”, explica o enfermeiro.

Atualmente, estão internadas 514 pessoas, cerca de 100 a mais do que no final de setembro, quando o governo decidiu avançar com a última etapa da reabertura. O número de pacientes em cuidados intensivos é semelhante ao mesmo período mencionado.

O governo ainda não adiantou oficialmente quais restrições podem entrar em vigor. Em relação às fronteiras, a atual permissão de viagens segue até o dia 30 de novembro, quando uma nova avaliação será feita, como tem ocorrido desde o início da pandemia. O documento oficial destaca que as atuais regras e permissões podem ser revistas “em qualquer altura, em função da evolução da situação epidemiológica”.

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