Inflação na Zona do Euro atinge 9% e bate novo recorde


A inflação continua subindo na Zona do Euro e pesando o bolso da população. De acordo com o Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat, sigla em inglês), o Índice de Preços do Consumidor (IPC) em agosto deve fechar em 9,1%, atingindo um novo recorde. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (31) pela organização. Em julho, a inflação ficou em 8,9%.

De acordo com o relatório, o maior aumento está no custo de energia, chegando a 38,3%. Já a inflação dos alimentos atingiu 10,6%. Logo atrás estão os bens industriais não energéticos, com 5%, e serviços, com 3,8%. 

Na comparação com o mês passado, o maior aumento foi registrado nos bens alimentares, que em julho registravam 9,8%. Os custos de energia, apesar de ser a maior vilã, tiveram uma queda de 1,3% se comparado com o mês anterior.

Entre os 19 países da Zona do Euro citados pela Eurostat, a Holanda foi a que teve maior na inflação registrada nos últimos 30 dias, com alta de 2,3%, seguida da Bélgica, com 1,8% e Luxemburgo, que registrou 1,1% na comparação com julho. Por outro lado, Áustria, Chipre, Eslovênia, Grécia, Finlândia, Letônia e Portugal ficaram com índices negativos de variação, que vão de 0,1% a 0,4%.

O aumento dos preços nos países que utilizam a moeda é impulsionado pelas consequências da guerra na Ucrânia, que causou mudanças no mercado de energia e alimentos. Ao mesmo tempo, a Europa enfrenta a maior seca dos últimos 500 anos, prejudicando a agricultura. O Banco Central Europeu ainda elencou a pandemia de Covid-19 como fator considerado para a elevação dos preços.

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Diversos países europeus têm criado auxílios financeiros para a população. Na França, por exemplo, foi proibido aumentar os aluguéis em mais de 3,5% até 2023. Além disso, os consumidores recebem um desconto de 0,30 centavos de euro por litro de combustível. Na Alemanha, os moradores utilizaram por três meses um passe mensal para ser utilizado nos trens pelo valor de 9 euros

Na Espanha, os moradores poderão viajar gratuitamente em trens de curta e média distância a partir desta quinta-feira (1º). Em Portugal, o governo vai anunciar na próxima segunda-feira (5) um pacote de medidas para ajudar no poder de compra das famílias.

Desde o início do ano, a Zona do Euro enfrenta altas mensais no índice de preços do consumidor, o que tem afetado diretamente o bolso da população. O Banco Central Europeu já elevou a taxa de juros, com perspectiva de um novo aumento em setembro. A meta é reduzir a inflação em 2% nos próximos dois anos. A taxa é a mais alta desde 1997, quando começaram os registros. A principal moeda europeia também está perdendo força no mercado e está praticamente equiparada com o dólar.

Fora da Zona do Euro, os percentuais também batem recordes. No Reino Unido, o índice de preços foi de 10% em julho, o mais alto dos últimos 25 anos. O preço da energia é um dos maiores responsáveis e o regulador do setor já anunciou que os valores podem aumentar em até 80% nos próximos meses.

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