Banco Central Europeu vai aumentar taxas de juros para conter inflação

Frear o consumo para tentar conter a inflação. Esse é o plano do Banco Central Europeu (BCE), que vai aumentar em 0,25% as taxas básicas de juros a partir do próximo mês. Esta é a primeira vez que a instituição adota tal medida nos últimos 11 anos. O objetivo é que a inflação do bloco se estabilize em 2% no médio prazo. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (9), na Holanda.

No mês de maio, a inflação anual do bloco foi de 8,1%, subindo de 7,4% em abril. Energia e alimentos continuam sendo os vilões quando o assunto é custo de vida no continente europeu. A previsão dos analistas do Banco Central é que a média anual feche em 6,8% no final de 2022.

Em setembro, um novo aumento da taxa básica de juros, com valor ainda não revelado, também está previsto, adiantou a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde: “A calibração desse aumento de taxa dependerá das perspectivas atuais de inflação de médio prazo. Se as perspectivas de inflação de médio prazo persistirem ou se deteriorarem, um aumento maior será apropriado na nossa reunião de setembro”, explicou a presidente.

De acordo com a economista, a guerra na Ucrânia é um dos fatores para o descontrole dos preços na Europa, em especial dos alimentos, que subiram 7,5% em maio, além da energia, que está 39,2% mais cara do que há um ano: “A agressão injustificada da Rússia à Ucrânia está afetando severamente a economia da área do euro e as perspectivas ainda estão cercadas por alta incerteza”, avalia Christine.

Além do aumento da taxa básica de juros, outra medida anunciada foi a de encerrar, a partir de julho, o programa de compra de títulos que impulsiona as economias, os chamados ativos. Segundo o Banco Central Europeu, as aquisições mensais variam de 15 a 80 bilhões de euros mensais. A compra dos títulos influencia as condições financeiras do mercado, como o incentivo aos bancos para a liberação de empréstimos aos cidadãos e empresas no bloco.

A taxa básica de juros

A taxa é o parâmetro utilizado nas operações financeiras, como empréstimos e financiamentos. O valor influencia diretamente em investimentos como poupanças e pode tornar mais difícil o acesso a empréstimos. A tendência é que as pessoas gastem menos com o aumento da taxa básica de juros, tornando a oferta maior do que a demanda e reduzindo a inflação, que é o objetivo principal da medida.

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