Após reportagem do Agora Europa, empresa inicia pagamento de funcionários em Dublin

Por Daiane Vivatti, de Dublin.

Os funcionários de uma empresa responsável pela limpeza de lojas do varejo de roupas na Irlanda receberam uma parte do pagamento dos salários que estavam atrasados desde o mês de março deste ano. A situação foi divulgada nessa quarta-feira (10) em reportagem exclusiva do site Agora Europa. No mesmo dia, a empresa SBFM entrou em contato com os funcionários e confirmou, por meio de nota, que havia realizado o depósito de uma parte do valor reivindicado pelos trabalhadores. Os funcionários confirmaram que o montanto ficou disponível nas contas bancárias pessoais na manhã de hoje (12) e que permanecem em negociação com a empresa.

Conforme o posicionamento encaminhado pela SBFM, o pagamento realizado nesta semana visa ajudar os trabalhadores que possam estar passando por dificuldades financeiras. “À luz do exposto e depois de apenas hoje à noite (10) recebermos uma lista de trabalhadores com reivindicações sobre a folha de pagamento, nosso departamento responsável pelos pagamentos adiantou um valor padrão (…) para cada um deles, a fim de garantir que nenhum colega sofra dificuldades financeiras enquanto investigamos”, explicou a empresa.

Entenda a situação

O problema começou no início deste ano, quando os trabalhadores foram contratados pela empresa SBFM, sediada no Reino Unido, para realizar a limpeza e higienização de estabelecimentos localizados em Dublin. As atividades começaram no dia 1º de fevereiro. O primeiro salário estava agendado para ser pago somente no dia 16 de março. No entanto, cerca de 30 trabalhadores relatam ter recebido valores significativamente abaixo do total de horas efetuadas. Segundo a então supervisora da empresa, M.T.*, alguns funcionários receberam menos de 20% dos salários. Conforme descrição dos trabalhadores, o controle de horas trabalhadas era efetuado manualmente e de forma improvisada pelos funcionários, que não possuíam métodos automatizados para executar tal controle.

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A reportagem também teve acesso a emails trocados entre os trabalhadores e o departamento de Recursos Humanos da SBFM entre os meses de fevereiro e junho de 2020. No dia 23 de abril, uma funcionária que também trabalhava na empresa, mas prefiriu não se identificar, enviou um email para reivindicar as 45 horas trabalhadas, conforme controle próprio, mas não obteve sucesso na respostas. Segundo a empresa, o total de horas contabilizadas pela funcionária estava em desacordo com o período registrado pela empresa. Uma nova mensagem enviada pela funcionária no dia 27 de maio obteve a mesma resposta: “por favor, esteja ciente de que somos incapazes de pagar qualquer hora que você reivindica ter trabalhado que não está registrada como tempo de frequência do nosso sistema – sem registro, sem pagamento (no clock, no pay)”, diz o email.

Em uma primeira nota enviada ao Agora Europa, a representante da SBFM afirma que, devido à pandemia de coronavírus e ao lockdown, a empresa “não teve a oportunidade de discutir e verificar as reivindicações dos colegas de trabalho”. No entanto, diz a nota, a companhia não possui qualquer intenção de reter os salários dos funcionários.

Leia a nova nota enviada pela SBFM ao Agora Europa

A SBFM emprega milhares de trabalhadores em toda a Europa e fizemos todos os esforços para apoiar nossos colegas durante esses tempos sem precedentes de bloqueio forçado pelo Covid-19.

Como temos certeza de que você sabe, quando o bloqueio foi imposto em março, os varejistas foram forçados a fechar. Com isso, nossas operações para esses lojistas pararam imediatamente. Devido a isso, tivemos que licenciar um grande número de trabalhadores em consonância com o esquema de apoio do governo. Foi apenas nesta semana que várias equipes operacionais e administrativas começaram a voltar de ‘licença’ para ajudar a reiniciar nossas operações para esses contratos.

À luz do exposto e depois de apenas hoje à noite (10) recebermos uma lista de trabalhadores com reivindicações sobre a folha de pagamento, nosso departamento responsável pelos pagamentos adiantou um valor padrão (…) para cada um deles, a fim de garantir que nenhum colega sofra dificuldades financeiras enquanto investigamos.

*Após a divulgação deste conteúdo, a supervisora M.T. solicitou que seu nome fosse preservado apenas pelas iniciais. O site Agora Europa avaliou o pedido da fonte e adotou as medidas solicitadas.

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