Portugal: ocorrências de violência de gênero sobem no segundo trimestre

 

Pedidos de ajuda podem ser feitos por telefone, SMS ou email.
Foto: Facebook PSP / Divulgação


A violência de gênero aumentou 9% no segundo trimestre deste ano em Portugal. Em abril, maio e junho 6.928 mulheres procuraram as forças de segurança para registrar queixas de violência. Foram 570 ocorrências a mais do que nos três primeiros meses de 2020.  Os dados estão em relatório divulgado pelo Governo do país nesta semana.

As prisões preventivas por violência doméstica subiram ligeiramente. Enquanto em 2019 foram 208 casos no segundo trimestre, neste são 217 reclusos – 11 a mais do que nos primeiros meses de 2020.

210 agressores a mais em programas de reabilitação

Além da prisão, outro mecanismo utilizado em Portugal é o programa para agressores. Na comparação com 2019, são 14% homens a mais do que o mesmo período do ano passado, quando 1.391 agressores participavam das atividades. No primeiro trimestre foram 1.386, numero que subiu para 1.596 – 210 a mais.

Outro aumento diz respeito aos agressores que foram afastados de casa. Enquanto no segundo semestre de 2019 ocorreram 570 casos, no mesmo período deste ano foram 738 ocorrências. Destes, 579 estão em vigilância eletrônica.

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Diminui número de mulheres abrigadas

Por outro lado, reduziu o número de mulheres em situação de acolhimento. No segundo trimestre registraram-se 907 casos, enquanto no mesmo período do ano passado haviam 1.135 mulheres abrigadas. No relatório, o Governo pontuou que houve ainda aumento no número de vagas de acolhimento, necessidade atendida durante a pandemia de Covid-19.

Tentativas de feminicídio aumentam

Até 15 de agosto deste ano, Portugal teve 25 tentativas de feminicídio – seis a mais na comparação com o mesmo período do ano passado. Houve ainda 10 feminicídios no país, conforme relatório do Observatório das Mulheres Assassinadas, coordenado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).

“Estes dados revelam a urgência de um investimento numa análise sobre o feminicídio e a sua tentativa a partir de um olhar especializado e aprofundado, para prevenir futuros assassinatos”, destaca a organização.

Como buscar ajuda

Em Portugal existem mecanismos de apoio e proteção através do telefone. A linha 800 202 148 é gratuita e funciona 24 horas por dia. Neste período de isolamento social, em que há chances maiores de agressores estarem em casa, foi criada também uma linha de atendimento por mensagem de texto, através do número 3060. Outra forma de contactar as autoridades é pelo email violenciadomestica@psp.pt.

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