Direita vence eleições em Madri com maioria dos votos

Isabel Díaz Ayuso volta à presidência da Comunidade de Madri. Foto: Twitter PP

A presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, do Partido Popular, seguirá no cargo por mais dois anos. Ela foi vencedora, na noite desta terça-feira (4), de uma corrida eleitoral polarizada, concorrida e marcada por denúncias, agressões e ameaças de morte anunciadas por cartas enviadas a candidatos e membros do governo central.

Em menos de um mês de campanha, a jornalista de 42 anos, por pouco não conquista a maioria absoluta na Assembleia (Congresso) de Madri, que é 69 cadeiras. Com o lema “Liberdade”, Isabel venceu com 65 cadeiras, 35 a mais que as eleições passadas, superando o número total de deputados dos três partidos de esquerda juntos.

Para chegar a 69 deputados e assumir novamente a presidência, Ayuso precisa contar com o apoio do partido Vox, de extrema-direita, que conquistou 13 cadeiras  nestas eleições. Santiago Abascal, líder do Vox, já anunciou que irá apoiar Ayuso sem exigir entrar no governo.

Comemorações

Com 60% dos votos apurados, o presidente do Partido Popular, de direita, Pablo Casado, já comemorava com Isabel Díaz Ayuso, a ampla vitória da Comunidade de Madri, em sua sede na Rua Gênova: “O orgulho e o ódio perderam”, declarou o político espanhol.

Já a presidente reeleita, visivelmente emocionada, disse: “A liberdade triunfou novamente em Madri. Hoje começa um novo capítulo na história da Espanha. Vamos recuperar o sentimento de pertencimento, a convivência, a unidade a  liberdade”, anunciou Isabel.

Ayuso aproveitou a oportunidade para agradecer a participação massiva da população, que formou longas filas durante todo o dia para votar na capital. Apesar do voto não ser obrigatório, quase 80% dos 5,112 milhões de madrilenhos aptos a votar exerceram o direito de escolher seu representante. Como resultado, optaram pela continuidade do partido de direita no governo regional de Madri.

Ela também lembrou os dois anos de pandemia, as vítimas da doença, as que perderam familiares, empregos, moradia: “Foram os dois anos mais difíceis, que jamais imaginamos, e mesmo assim, nunca a sociedade madrilenha esteve tão unida. Vamos seguir adiante, governando para todos, sem hipocrisia”, afirmou Isabel, entre seus seguidores.

Campanha de Díaz Ayuso

A jornalista já começou a campanha enfrentando os partidos de esquerda. No Twitter, sua primeira declaração quando soube que o vice-presidente do governo central,Pablo Iglesias, havia renunciado ao cargo no dia 15 de março para concorrer à presidência da Comunidade de Madrifoi: “ Comunismo o Libertad”.  Os demais candidatos seguiram a linha e rebateram com: “Democracia o Fascismo”.

Durante toda a campanha, Díaz Ayuso foi lembrada pelos votantes por sua gestão da pandemia. Enquanto as demais comunidades autônomas defendiam o lockdown, ela optava apenas pelo fechamento perimetral da comunidade e, mais tarde, apenas dos bairros com o maior número de contágios do coronavírus.

Ela manteve bares e restaurantes abertos, com objetivo de manter a economia ativa, enquanto outras comunidades proibiram a manutenção dos negócios. A presidente também permitiu a continuidade do trabalho da área cultural. Com isso, ganhou o apoio destes setores da economia. Sempre na contramão do governo central, Díaz Ayuso não baixou a guarda.

Mas o que não baixou também foi o número de contágios de coronavírus durante toda a pandemia. Como não limitou a circulação de pessoas como fez as demais comunidades autônomas, Madri permaneceu na lista das cidades com o maior número de positivos de Covid-19, desde março do ano passado.

Votação dos partidos políticos

A noite foi marcada por surpresas, apesar das últimas pesquisas realizadas antes das eleições apontarem mudanças nessa votação. Entre elas, o crescimento do partido Más Madrid, de esquerda, que conquistou 24 cadeiras na Assembleia, o mesmo número do tradicional  PSOE (Partido Socialista Obrero Español), também de esquerda, que ocupa a presidência do governo central.

O único partido de centro (Ciudadanos) perdeu, nesta noite, todas as cadeiras na Assembleia. Esta foi considerada, pelos políticos, uma grande derrota para o partido, que até março ocupava a cadeira de vice-presidência da Comunidade de Madri.

O partido de extrema-esquerda (Unidas Podemos) também perdeu posição no governo regional, mesmo tendo como candidato o ex vice-presidente do governo central, Pablo Iglesias, que pediu demissão do cargo para concorrer à presidência da Comunidade de Madri. Depois da vitória de Isabel Diaz Ayuso, Iglesias anunciou que deixa a vida pública e se retira da política.

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