Com 4 milhões de desempregados, Espanha lidera ranking da União Europeia

 

A taxa de desemprego já é a mais alta da União Europeia. Foto: Canva

Um dos países mais castigados com a pandemia do coronavírus também deverá ser o último a recuperar-se da crise econômica gerada pelas restrições e fechamento de estabelecimentos comerciais.

O mercado de trabalho, a cada mês, apresenta mais desempregados. Atualmente, a taxa de desemprego na Espanha é de 16%,  a mais alta em comparação com os outros 26 países da União Europeia. Ao todo, 401 mil pessoas perderam o emprego desde o início da pandemia, elevando o número atual de 3,6 milhões para 4 milhões de desempregados no território espanhol.  Entre os setores que mais demitiram estão o de agências de viagem, empresas aéreas, hotéis, bares e restaurantes.

E esta taxa pode aumentar. Não estão incluídos nesses números,  os 744 mil profissionais em Expediente de Regulação de Trabalho Temporário (ERTE), uma autorização temporária concedida às empresas para suspender contratos de trabalho, ficando isentas do pagamento de salários por um período determinado, sem necessidade de demitir.  Estas pessoas, portanto, não estão nem desempregadas, nem trabalhando. E há outros 470 mil trabalhadores autônomos que paralisaram as atividades.

Ou seja, somando todas essas classes de trabalhadores, o número hoje de pessoas em busca de novas oportunidades no mercado de trabalho ultrapassa os 5 milhões.  As regiões mais impactadas com a falta de empregos é a Catalunha e a Comunidade de Madri. Os públicos mais afetados são jovens e mulheres.

Outro fator que merece destaque é que das vagas oferecidas, boa parte delas (15%), são de caráter indefinido. De acordo com dados divulgados pelo Ministério de Trabalho e Economia Social, o mês de março chegou a apresentar uma leve melhora com o relaxamento das restrições e abertura de negócios, e a contratação de 59 mil pessoas. Mas Nadia Calviño, segunda vice-presidente e Ministra de Assuntos Econômicos e Transformação Digital, não mostra o mesmo otimismo. Para ela, ainda é um número insignificante se comparado  às perdas de vagas de emprego em um ano.

Incerteza sobre trabalhadores em ERTE

O governo central defende que a situação deve melhorar a partir deste mês de abril com a aceleração do calendário de vacinação. Com mais trabalhadores imunizados, aumentam as chances dessas pessoas conquistarem uma vaga de emprego e das empresas voltarem a abrir as portas e contratar mão de obra, especialmente com a chegada da temporada de verão.

Mas ainda há dúvidas sobre o futuro dos 744 mil trabalhadores que estão em ERTE, cuja parcela paga pelo governo termina em 31 de maio.  Eles poderão ser demitidos ou reincorporados às empresas.  Segundo o governo, dependerá da situação sanitária do país e do relaxamento das medidas de restrição e, consequentemente, da reabertura dos negócios em pleno funcionamento.

Nadia Calviño defende a continuidade da ajuda financeira do governo (pagamento de ERTES), mas em condições distintas às oferecidas hoje. Além da simplificação dos contratos de trabalho e mecanismos de flexibilidade interna.

Desemprego na zona do euro

Segundo a Eurostat, o serviço de estatística da União Europeia, a taxa média de desemprego dos países-membros em fevereiro de 2021 foi de 7,5% . A estimativa é que quase 16 milhões de homens e mulheres, dos quais 13,5 milhões na área do euro, estão sem emprego. Em comparação com janeiro de 2021, o número de trabalhadores parados aumentou 34 mil  na União Europeia e 48 mil na área do euro.

As medidas aplicadas para combater o coronavírus provocaram um aumento acentuado do número de pedidos de subsídio de desemprego em toda a União Europeia.  Ao mesmo tempo, uma parte significativa de pessoas que se inscreveram em agências de emprego desistiram de buscar uma vaga ou deixaram de trabalhar para cuidar dos filhos.  Por isso, ainda há discrepâncias no número real de desempregados em toda a União Europeia.

 

 

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