Proibição de viagens a turismo entre Brasil e Portugal separa mães e filhas


A brasileira Daniele Bueno, de 37 anos, recebeu o último abraço da mãe no Natal de 2019, antes de voltar para Portugal, onde mora há três anos. A imigrante esperava sentir o carinho dela novamente seis meses depois, na celebração do seu aniversário, mas a pandemia de Covid-19 mudou os planos. Neste domingo (9), a parananese comemora o segundo Dia das Mães à distância e com muita saudade.

“É complicado. Por mais que tenhamos optado por viver fora do Brasil, receber a família é maravilhoso; representa aconchego, proteção e abraço apertado”, conta ao Agora Europa. Histórias como a de Daniele e da mãe Elisete são comuns em famílias afetadas pela proibição de viagens a turismo entre o Brasil e Portugal.

O fechamento das fronteiras aéreas para voos não essenciais, que já dura mais de um ano, não só adiou os planos de quem pretendia imigrar, mas também separou famílias, principalmente em momentos especiais. Natal, Ano Novo, aniversários e Dia das Mães são agora comemorados apenas através de uma tela de celular.

“A data mais marcante foi o Natal de 2020, quando minha mãe não pôde vir para Portugal. Ela acabou passando sozinha no Brasil”, lamenta a imigrante. “Montamos nossa mesa para jantar e ela montou a dela lá, depois falamos por vídeo e ela fez um brinde com sua tacinha de vinho desejando coisas boas”, recorda Daniele.

Daniele viu a mãe pela última vez no Natal de 2019.
Foto: arquivo pessoal

Casamento sem a presença da mãe

Além das datas tradicionais de celebração familiar, a brasileira Carolina Ferreira Matos, de 29 anos, passou outro momento inesquecível sem a presença da mãe: o casamento: “Foi muito triste porque em um momento tão especial da minha vida, minha mãe não estava lá”, comenta a imigrante, que mora em Portugal há quase três anos.

Carolina está longe da mãe por causa das restrições de viagens.
Foto: arquivo pessoal

A falta da presença física, impedida pela proibição de viagens não essenciais, foi amenizada com uma ligação logo após a hora do sim: “Eu liguei e choramos, queria a presença dela, o cheiro e o conforto naquele momento lindo da minha vida”, destaca a mineira.

A celebração foi apenas no cartório, com a presença de cinco pessoas. Por causa da pandemia, os planos de festa não puderam ser realizados, principalmente por não poder ter a visita da família, que está no Brasil.

Preocupação com o vírus

Além de não estarem juntas em momentos especiais, uma preocupação constante entre mães e filhas imigrantes que estão distantes é o medo do coronavírus. No Brasil, a doença já matou mais de 421 mil pessoas e infectou 15 milhões de pessoas, conforme estatísticas oficiais.

Carolina, por exemplo, perdeu o avô para o vírus e não conseguiu se despedir: “Além de estar longe, tudo se complica, as pessoas que nós mais amamos estão lá e a gente não pode fazer nada”, desabafa a imigrante.

Daniele, que partilha da mesma preocupação, está mais tranquila agora que a mãe já recebeu as duas doses da vacina contra Covid-19. No entanto, a imigrante salienta que a situação da pandemia no Brasil não dá tranquilidade para viajar neste momento: “Por isso estamos esperando as fronteiras abrirem para ela vir”, pontua a brasileira.

Possibilidade de reunião familiar

A advogada Jamile Jambeiro, que atua em Portugal, também está longe da mãe nesta data especial: “São dois anos consecutivos em que os planos de passar o Dia das Mães na cidade de Fátima ficaram estagnados”, destaca ao Agora Europa.

No entanto, a especialista em direito migratório explica que em alguns casos é permitida a visita de mães no conceito de “reunião familiar” estabelecido pelas atuais regras em Portugal: “Em especial nos casos que a presença física seja considerada essencial, como no caso de incapacidade civil, acompanhamento antes ou pós parto, desequilíbrio emocional, psíquico ou psicológico”, ressalta a advogada.

Mas, para a viagem ser autorizada é necessário ter todos os documentos exigidos pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e uma devida comprovação: “Infelizmente, vemos que algumas pessoas não chegam instruídas na parte jurídica por falta de um planejamento migratório feito com antecedência e terminam sofrendo abuso de autoridade. Ou não dispõem dos documentos que comprovem os motivos da vinda como reunião familiar”, pontua a especialista.

Previsão de viagens liberadas

Não há uma previsão oficial de quando as viagens não essenciais serão liberadas entre Brasil e Portugal. No entanto, a discussão em torno do certificado de vacinas proposto pela Comissão Europeia para pessoas totalmente imunizadas pode ser uma esperança para quem está, há mais de um ano, separada da família por causa da pandemia de Covid-19.

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