70% das mulheres mudaram hábitos para se sentirem seguras em Barcelona


Quase sete em cada 10 mulheres mudaram seus hábitos de mobilidade em algum momento por razões de segurança pessoal na capital da Catalunha. Este é um dos dados do estudo “Mobilidade na perspectiva de gênero em Barcelona”, apresentado nesta terça-feira pela RACC e a Zurich Seguros.

Metrô é apontado como o local mais inseguro pelas mulheres

O motivo também acaba ilustrado no mesmo levantamento, onde mais do que o dobro de mulheres relatam ter sido assediadas do que homens e até o triplo em alguns casos, tanto de dia como de noite, na rua e no transporte público.

A percepção do medo das mulheres em circular pela cidade também se manifesta na resposta à outras perguntas. 46% das entrevistas sente-se insegura no metrô. Em função disso, tomam mais medidas de segurança pessoal do que os homens quando se deslocam à noite: nove em cada 10 (89%) tentam ser acompanhadas, em comparação com 55% dos homens; e quase metade (47%) fala ao telefone para se sentir segura, enquanto apenas um em cada 10 homens o faz.

Transporte público é foco de assédio

Este estudo, que é um dos mais extensos já realizados sobre o assunto na Espanha, analisou a percepção de segurança dos cidadãos com base no meio de transporte que utilizam, seu gênero e horário, bem como as situações de assédio, agressão, roubo ou furto que alegam ter sofrido.

Com base em mais de 1,5 mil pesquisas e 17 mil observações do comportamento da hora do rush no ônibus e no metrô, os resultados indicam que, em geral, as mulheres sofrem mais incidentes do que os homens e que ocorrem com mais frequência durante o dia.

Segundo os realizados, o objetivo é: “contribuir para o alcance da mobilidade sem preconceitos de gênero e para inspirar confiança e segurança em toda a população e, assim, contribuir também para a recuperação e aumento do nível de utilização do transporte público”.

Como denunciar os casos

Na Espanha assédio é crime previsto em lei. A pena pode chegar a dois anos de prisão, além de multa. Em Barcelona, existe um aplicativo chamado BCN Antimachista, em que as mulheres podem informar sobre os locais seguros ou zonas com maior incidência do crime, bem com opção de ligar diretamente ao número de emergência 112. Outra maneira de denunciar é indo até uma delegacia. A cidade possui ainda outros serviços públicos e gratuitos de apoio e denúncia, que estão listados neste link.

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