Portugal discute fim da polícia de imigração

Morte de agente nas instalações no SEF agilizou reestruturação do órgão. Foto: Divulgação / SEF

A extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portugal como força policial está em discussão no país. Apesar de o governo só ter anunciado publicamente que haverá separação entre funções policiais e administrativas, outras reestruturações não estão descartadas, conforme declarações oficiais feitas por autoridades de segurança.

No domingo (13), Magina da Silva, diretor nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) conversou com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa sobre o tema. Após o encontro no palácio presidencial, o diretor declarou à imprensa que o SEF e a PSP podem ser transformados em uma polícia nacional. O superintendente citou exemplos da Itália, Espanha e França, que possuem forças policiais semelhantes.

O ministro de Administração Interna, Eduardo Cabrita, reagiu sobre as declarações afirmando à agência de notícias estatal do país que as mudanças no órgão serão anunciadas pelo governo e não pela polícia. Depois disso, Magina da Silva divulgou nota à imprensa sobre o que disse após o encontro presidencial: “Foi uma visão pessoal”, escreveu.

Caso do imigrante assassinado em março repercute

Desde o pedido de demissão da diretora do SEF na semana passada, o tema de reestruturação do órgão domina as discussões políticas e ganha destaque na imprensa portuguesa. Partidos, tanto da base governista quanto da oposição, pedem que Cabrita deixe o cargo.

Nesta terça-feira (15) o ministro é esperado no Parlamento para dar explicações sobre o caso do imigrante ucraniano Ilhor Homenuyk, torturado por agentes do SEF em março. A condução do tema foi o que levou a diretora Cristina Gatões a pedir demissão e o governo português a agilizar mudanças no serviço de imigração. A ex-responsável pelo SEF também era esperada para ser ouvida por parlamentares, mas não irá comparecer à audiência por ter pedido demissão antes.

Indenização

Na semana passada, o Conselho de Ministros aprovou uma indenização à família do estrangeiro assassinado, que tinha dois filhos menores. A resolução foi publicada nesta segunda-feira (14) no Diário da República. O valor será definido pela justiça portuguesa. A viúva de Ilhor pagou mais de 2 mil euros pelo translado do corpo do marido para a Ucrânia, em março.

Leia mais:
– Governo português anuncia aumento de 30 euros no salário mínimo
– Portugal: estudantes estrangeiros poderão renovar residência on-line

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.