Irlanda: 80 escolas de inglês estão aptas a receber alunos do Brasil

Depois de quatro viagens adiadas e quase um ano de espera, o sonho de imigrar para a Irlanda como estudante se tornou realidade para a porto-alegrense Raquel Goulart Póvoa, de 31 anos. O embarque para o tão aguardado intercâmbio ocorreu na última quinta-feira (7) e, quatro dias depois, a bancária já começou a frequentar as aulas de inglês.

Com medidas de segurança implementadas, como a manutenção de um metro de distanciamento, disponibilização de álcool gel e obrigatoriedade de uso de máscaras, a escola de Raquel é uma das cerca de 80 instituições de ensino de língua inglesa que está apta a receber estudantes brasileiros e de outras nacionalidades não-europeias na Irlanda. De acordo com a confirmação do Departamento de Justiça ao Agora Europa, esse é o número aproximado de escolas certificadas no país que notificaram o governo com um plano de reabertura para voltar a receber os alunos internacionais durante as últimas três semanas. A data em que os novos estudantes iniciam as aulas é definida pelos próprios estabelecimentos de ensino.

“Antes de começarem as aulas, eu recebi por e-mail uma cartilha falando das medidas. Não tinha muitos alunos na sala, apenas cinco pessoas, e acredito que, nas dinâmicas em grupo, o professor estava fazendo pra gente não precisar se juntar. Isso também foi falado, pra não se juntar em grupinhos pra não fazer aglomeração. Eu não vi nada de tão diferente do que estamos vivendo no último ano e meio. Me senti segura, me senti normal”, relata Raquel.

A obrigatoriedade de as instituições apresentarem um plano faz parte das determinações impostas pelo Governo irlandês aos provedores de Educação Língua Inglesa (ELE, em inglês), que são responsáveis por garantir “a saúde e o bem-estar de seus funcionários, alunos e comunidade, à medida que seus níveis de atividade aumentam”. Para isso, as escolas precisam estabelecer protocolos de atuação que estejam em acordo com as recomendações públicas de saúde estabelecidas pelo Serviço Executivo de Saúde irlandês (HSE, em inglês), o que inclui a realização de testes, rastreamento de contatos e gerenciamento de surtos de Covid-19.

Após notificar o Departamento de Justiça sobre o plano de reabertura, os locais de ensino podem emitir a carta de matrícula para os estudantes, que precisa ser apresentada na chegada à Imigração irlandesa. Foi com o certificado em mãos, junto a outros documentos obrigatórios, como o seguro governamental de saúde, comprovação financeira de três mil euros e passagem de retorno ao Brasil em até oito meses, que Raquel conseguiu ingressar na Irlanda junto com o companheiro.

“Quando eu cheguei em Madri, pra fazer escala, me pediram o PCR aí eu expliquei que pra Irlanda não precisava e também o Passenger Locator Form (formulário solicitado para a entrada no país). E quando eu cheguei na Irlanda mesmo, passei na imigração e entreguei uma pastinha com todos os documentos, ele (agente de imigração) deu uma olhada, carimbou e deu o bem-vindo à Dublin”, relembra a brasileira.

Raquel e o marido, Everton Ayres, chegaram à Irlanda na última sexta-feira (8). Foto: arquivo pessoal

Além de não precisar apresentar o teste PCR para entrar na Irlanda, passageiros vacinados há mais de 14 dias com um imunizante aceito (a CoronaVac não está inclusa) ou recuperados da Covid-19 (nos últimos 180 dias) vindos do Brasil também não são mais obrigados a realizar quarentena na chegada ao país. Já os não-vacinados precisam apresentar um teste PCR negativo para coronavírus realizado em até 72 horas antes do embarque e, mesmo com o fim da quarentena obrigatória em hotéis, devem ficar em isolamento em casa e, depois de cinco dias, realizar um novo exame PCR.

As demais restrições que ainda estão em vigor na Irlanda, como por exemplo a necessidade de apresentar o certificado de vacinação para entrar em pubs e restaurantes, serão totalmente retiradas no fim da próxima semana. A partir do dia 22 de outubro, será mantida apenas a obrigatoriedade do uso de máscaras em alguns locais fechados, como no comércio, transporte público e em hospitais e clínicas de saúde, e do autoisolamento em caso de sintomas de Covid-19. Com isso, todos os estabelecimentos que ainda estão fechados, como as casas noturnas, também poderão reabrir para a realização de festas.

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