França reabre a fronteira para estudantes do Brasil

Com a autorização, estudantes chegam a tempo do início do ano letivo. Foto: Canva


A França autorizou a entrada de estudantes e pesquisadores do Brasil e dos demais países que estão na “lista vermelha” de viagens, mesmo que não estejam vacinados. O anúncio foi realizado nesta sexta-feira (6) pela ministra do Ensino Superior, Pesquisa e Inovação, Frédérique Vidal, após meses de mobilização por parte dos estudantes, grande parte deles brasileiros.

“Estudantes e pesquisadores internacionais: a França lhe dá as boas-vindas!”, escreveu a ministra, em post no Twitter. Vidal também anunciou que os estudantes não vacinados terão direito à imunização quando desembarcarem na França.

A mobilização – que também ocorreu para outros países europeus – levou à criação do movimento “Étudier Est Impérieux” (estudar é essencial, em tradução livre): “Estamos todos muito felizes e animados”, relata o Luan Dias, integrante do grupo.

O estudante conta ao Agora Europa que estavam esperançosos pela autorização oficial: “Estávamos há duas semanas esperando essa notícia. Tivemos muitas reuniões em que nos disseram que iria dar certo, mas esperávamos a confirmação”, detalha o brasileiro, que é do Rio de Janeiro e vai estudar em Paris.

Sobre a aprovação, Luan avalia que “é tudo muito bonito” pela união dos mais de 350 estudantes brasileiros que participaram da mobilização. O grupo teve diversos encontros com autoridades do Brasil e da França nos últimos dois meses em busca de uma solução.

Vacinados ficam livre de testes e quarentena

Estudantes vacinados com imunizantes aprovados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, sigla em inglês) ficam livres da apresentação de testes e de quarentena. A vacinação deverá ser comprovada por meio de documento válido.

Para as pessoas não imunizadas que chegam da “lista vermelha” foram estabelecidas regras diferentes de entrada. Os não vacinados precisam de uma declaração juramentada dos documentos e um certificado internacional de viagem.

Ainda é necessário ter um comprovante de acomodação, para a realização da quarentena obrigatória de 10 dias. Os estudantes também precisam de dois testes negativos: um PCR ou antígeno antes do embarque e outro exame antígeno na chegada ao país. Além da autorização de entrada para as pesquisadoras e pesquisadores, o visto também se estende ao cônjuge e filhos do casal.

Estudantes concordam com as medidas

Luan Dias destaca que é importante as autoridades possibilitarem, mediante medidas adicionais, a entrada de não vacinados, uma vez que o ritmo de imunização é lento no Brasil: “Seria quase impossível todos terem as duas doses a tempo do ano letivo”, destaca o estudante.

Outro ponto destacado pelo integrante do movimento é que algumas das vacinas aplicadas no Brasil não são reconhecidas na França. É o caso da Coronavac e da AstraZeneca (Covishield), que não possuem aprovação do regulador europeu.

O ano letivo na Europa começa a partir de setembro. A autorização da França é semelhante à realizada na semana passada pela Espanha, que também liberou a entrada de estudantes com visto. Agora, estudantes aprovados em universidades da Alemanha continuam a mobilização. Na última reunião do governo, realizada no mês passado, a autorização de entrada foi negada pelas autoridades.

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