Movimento de brasileiros reivindica reabertura da Europa para estudantes

Reportagem de Amanda Lima, Diego Weiler e Thaís Baldasso.

Estudar fora do Brasil sempre foi um dos sonhos da bióloga Luiza Capitani, de 25 anos. A aprovação no mestrado em turismo, na cidade de Barcelona, foi uma realização, mas a pandemia de Covid-19 adiou o plano por tempo indeterminado. Mesmo com todas as etapas de inscrição finalizadas, a brasileira não consegue entrar no território espanhol por causa das restrições para passageiros do Brasil, o que também a impede de obter um visto.

O estudante Luan Dias, que se preparou por anos para cursar Cinema em Paris, desistiu do plano em 2020, quando começou a pandemia. Com esperanças para 2021, o brasileiro se candidatou novamente imaginando que seria possível realizar o sonho em setembro deste ano. No entanto, a emissão de vistos para estudantes do Brasil segue suspensa, uma vez que a França não considera o estudo como viagem essencial.

São aproximadamente 1,8 mil histórias como a de Luan e Luiza de brasileiros que estão impedidos de viajar para a Europa e que correm risco de perder as vagas e bolsas de estudo conquistadas. Os brasileiros se uniram para tentar resolver a situação, por meio do movimento #EstudiarEsEsencial (em tradução livre, “Estudar é essencial”).

O grupo é formado por estudantes e pesquisadores brasileiros, aprovados em cursos na Espanha, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França e Itália – países que restringiram as viagens do Brasil como forma de prevenir a nova variante da Covid-19. Os estudantes reivindicam que as regras sejam reavaliadas para que o estudo seja definido como essencial, como ocorre em Portugal e Reino Unido, por exemplo.

Em pouco mais de um mês, o grupo ganhou espaço nas redes sociais e conta com mais de seis mil seguidores no Instagram e mais de 200 mil visualizações nos vídeos sobre o tema. “É muito frustrante, mas o movimento nos deu um pouco de esperança”, relata Luan ao Agora Europa.

Apoio no Brasil e no exterior

Através das redes sociais e de cartas enviadas a órgãos oficiais, consulados, embaixadas e políticos, no Brasil e no exterior, os participantes buscam liberar a emissão de vistos. Segundo Luiza, projeções realizadas no grupo indicam que 47% dos estudantes estarão totalmente vacinados até 31 de agosto, perto do início do ano letivo europeu. Este é um dos argumentos utilizados nos diversos contatos já realizados com autoridades.

Na Espanha, por exemplo, onde 299 estudantes já foram aprovados, o grupo reivindica que o país permita a entrada dos brasileiros com a carta de aprovação nas instituições de ensino. Luiza, recebeu, nesta semana, um retorno do Ministério da Saúde da Espanha sobre a reivindicação feita pelo movimento.

Segundo o documento, o qual o Agora Europa teve acesso, as autoridades estão “conscientes do impacto da medida”, mas as regras possuem o objetivo de “proteger a saúde pública”. A carta é assinada pela diretora geral de saúde, Pilar Aparício Azcárraga, que não informa quando irá acabar a restrição, mas pontua que “trabalham continuadamente” para adequar as medidas sanitárias.

Essa incerteza coloca em risco o ano letivo dos estudantes. A brasileira Bárbara Luíza Magalhães Honorato, pode até perder uma bolsa de estudos em Criminologia: “Já gastei mais de 12 mil reais com os trâmites, se eu não tiver na Espanha até 1° de setembro, perco a oportunidade”, lamenta a estudante.

Itamaraty diz que está em busca de uma solução

O movimento também busca apoio das autoridades brasileiras, principalmente com senadores e deputados, além do Ministério das Relações Exteriores. Em resposta ao Agora Europa, o Itamaraty relata que tem conhecimento “das dificuldades dos estudantes”.

O ministério também destaca que “vem fazendo o possível para alcançar solução satisfatória que atenda ao pleito dos estudantes”. O documento cita esforços realizados pelas embaixadas do Brasil na Alemanha, Espanha, França e Itália. O Itamaraty ainda afirma que “seguirá realizando contatos com autoridades competentes para que considerem a adoção de medidas alternativas que permitam a retomada da emissão de vistos a estudantes e acadêmicos brasileiros”.

O grupo segue com contatos em busca de apoio e que as reivindicações sejam atendidas. Na próxima semana, estão agendadas reuniões com senadores franceses para discutir o assunto. Outra iniciativa do movimento é uma petição on-line, com objetivo de conseguir 7,5 mil assinaturas. Até esta sexta-feira (9), o documento conta com mais de seis mil apoiantes.

Este não é a primeira vez que brasileiros são prejudicados pelas restrições de viagens na Europa. Um grupo de famílias criou o movimento “FamilyUnionIsEssential” (reunião familiar é essencial, traduzido para o português), pedindo que a Irlanda autorizasse a reunião familiar de brasileiros. Em maio, o país voltou a analisar esse tipo de visto, fato que foi comemorado por representantes do grupo.

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