Em meio a investigações, rei emérito da Espanha abandona o país

Juan Carlos I é citado em investigação por contas em paraísos fiscais (Foto: Casa de S.M. el Rey)
Juan Carlos I é citado em investigação suíça sobre contas em paraísos fiscais (Foto: Casa de S.M. el Rey)

Juan Carlos I, rei emérito da Espanha e pai do atual monarca, Felipe VI, deixou nesta segunda-feira, 3, o país para morar no exterior. Segundo uma carta divulgada pela Casa Real da Espanha (leia aqui), ele comunicou ao filho que a decisão é consequência da “repercussão pública” de notícias sobre contas em paraísos fiscais e busca “contribuir” para que Felipe VI possa executar sua função “com tranquilidade”.

Ainda não foi divulgado oficialmente o país onde Juan Carlos I irá residir depois de viver durante 58 anos no Palácio da Zarzuela, em Madri. De acordo com a imprensa portuguesa, o novo lar seria na turística cidade lusitana de Caiscais. A Casa Real informou que a saída foi voluntária e tomada em consenso com o filho. Felipe VI declarou “profundo respeito e gratidão”.

Celebrada por forças políticas da direita e ultradireita espanholas no parlamento – onde em sessões ainda é comum ouvir gritos de “viva o rei” de opositores do presidente Pedro Sánchez, de centro-esquerda –, a monarquia do país está envolvida em uma investigação iniciada na Suíça, em 2008. Promotores suíços identificaram supostas contas de Juan Carlos I em paraísos fiscais.

O advogado do rei emérito, Javier Sánchez-Junco, disse em comunicado que “ele permanece à disposição do Ministério Público para qualquer procedimento ou ação considerada oportuna”. O defensor rechaça que a mudança para o exterior seja qualquer fuga de processos na justiça. Por enquanto, os promotores ainda não classificam que o rei emérito seja “investigado”, mas já confirmaram que isso pode acontecer.

Juan Carlos I foi indicado em 1969 pelo ditador ultradireitista Francisco Franco para reinar o país após a monarquia ser extinta em 1931 pela Segunda República Espanhola – de esquerda e deposta pelo Franquismo. Ele assumiu a função em 1975, depois da morte de Franco e o início da monarquia parlamentarista. Don Juan Carlos abdicou em 2014, quando Felipe VI assumiu o trono.

Em março deste ano, o Rei Felipe VI anunciou que renunciava a herança real de qualquer conta no exterior, como resposta às notícias de supostos paraísos fiscais. Além disso, o atual monarca extinguiu o repasse de mais de 200 mil euros (1,25 milhão de reais) que o pai recebia em recursos públicos.

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