Guerra na Ucrânia completa um mês com centenas de mortos e 10 milhões de desabrigados

Primeiro ataque russo foi registrado no dia 24 de fevereiro – Fabio Bucciarelli / Governo da Ucrânia

Cidades devastadas, 10 milhões de pessoas em fuga e 128 crianças mortas. Esse é o resultado de um mês de guerra na Ucrânia, completados nesta quinta-feira (24). Há exatamente 30 dias, os primeiros bombardeios russos foram ouvidos na capital Kiev, além de ataques à Carcóvia e Odessa, cidades do sudoeste do país.

Poucas horas antes dos ataques, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, havia justificado que as invasões se deviam “à proteção da própria Rússia daqueles que tomaram a Ucrânia como refém e tentam usá-la contra nosso país e seu povo”. De lá para cá, o exército russo já fez significativos avanços no território ucraniano, incluindo as regiões de Luhansk, Donetsk, Mariupol, Kherson, no oeste do país, e pelo norte, em um cerco à capital Kiev.

Sozinhos no campo de batalha, os ucranianos têm implorado por ajuda internacional que, até o momento, se resume a sanções aplicadas contra a Rússia, apoio financeiro e material para a aquisição de armamentos de guerra. No campo físico, na linha de frente dos conflitos, os militares da Ucrânia contam apenas com alguns milhares de voluntários de, por enquanto, 52 diferentes nacionalidades, conforme contabilizado pelo Ministério da Defesa do país.

Nesta quinta, por exemplo, o Reino Unido confirmou um novo apoio ao governo ucraniano. Os britânicos prometem transferir 25 milhões de libras para ajudar no financiamento militar. Outros 5,1 milhões de libras também serão destinados para investigações de crimes de guerra e aprimoramento dos serviços da rede de mídia BBC para combate à disseminação de fake news durante a guerra. As informações serão transmitidas nos idiomas russo e ucraniano.

“O Reino Unido trabalhará com nossos aliados para aumentar o apoio militar e econômico à Ucrânia, fortalecendo suas defesas à medida que mudam a maré dessa luta.” – anunciou o governo do primeiro-ministro Boris Johnson.

Desde o início das tensões e ameaças russas, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensk, tem solicitado o ingresso do país na União Europeia (UE) ou à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Embora a solicitação tenha recebido apoio do Conselho Europeu e de integrantes do bloco militar, o que poderia automaticamente colocar o Ocidente no centro do conflito, nenhuma ação concreta ou previsão de adesão da Ucrânia foi aceita, até o momento, tanto pela UE quanto pela OTAN.

Na data em que a guerra chegou ao 30º dia, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, participou de reunião com líderes europeus em Bruxelas. No encontro, foram definidas novas sanções à Rússia, além de “esforços de proteção temporária e admissão humanitária” de refugiados. Outra iniciativa anunciada é a de apoiar o trabalho de especialistas que estão coletando evidências de guerra no território.

Milhões de pessoas sem casas

Dados divulgados nesta semana pela Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que aproximadamente 10 milhões de pessoas já tiveram de deixar as casas em função da invasão. Ao todo, 3,6 milhões fugiram do país.

Com o espaço aéreo fechado, a saída do território ocorre, principalmente, pelo sistema ferroviário que conecta a Ucrânia aos países vizinhos, assim como por meio de ônibus e ajuda humanitária individual. A Polônia segue sendo o país com mais refugiados ucranianos, desde o início dos ataques russos. Ao todo, 2,7 milhões de pessoas já cruzaram a fronteira para se abrigar no país, que montou diversos centros de ajudas nas regiões fronteiriças e nas grandes cidades polonesas.

Número de refugiados em países vizinhos

3,674,952

Fonte: ONU

PaísRefugiados
Polônia2.173.944
Romênia563.519
Moldávia374.059
Hungria330.877
Rússia271.254
Eslováquia260.244
Bielorrússia5.569

Trezentas crianças já foram feridas ou mortas pela guerra

Desde o início da guerra, 128 crianças já foram mortas durante os confrontos e 172 ficaram feridas, segudo dados do Escritório da Procuradoria-Geral da Ucrânia, atualizados nesta quinta-feira (24). O número diverge, no entanto, dos apurados pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (OHCHR, sigla em inglês), que contabiliza 48 crianças mortas.

Ao todo, segundo a ONU, do dia 24 de fevereiro à meia-noite de hoje (24), 1,035 pessoas foram mortas durante a guerra. Além desses, outras 1.650 pessoas ficaram feridas nos conflitos.

“A maioria das vítimas civis registradas foi causada pelo uso de armas explosivas com ampla
área de impacto, incluindo bombardeios de artilharia pesada e sistemas de foguetes de lançamento múltiplo, e mísseis e ataques aéreos” – destaca o relatório da ONU.

A OHCHR acredita, no entanto, que os números levantados pela organização estão subestimados. O principal motivo é a dificuldade em alcançar as regiões de conflito e centros oficiais de saúde da Ucrânia.

Uma das vítimas do conflito foi o sobrevivente do nazismo, Borys Romanchenko. O idoso, de 96 anos, que sobreviveu a quatro campos de concentração nazistas, teve a casa atingida por uma bomba russa, na última sexta-feira (18), em Kharkiv, no leste do país. Segundo o governo ucraniano, Borys não sobreviveu aos ferimentos e morreu no local.

Borys Romanchenko (96) sobreviveu aos campos de Buchenwald, Peenemünde, Mittelbau-Dora e Bergen-Belsen durante o nazismo – Foto: Dmytro Kuleba / Twitter.

Sumário da guerra

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