Rússia lança mísseis sobre Kiev e presidente pede ajuda internacional

*Por Amanda Lima e Tauana Saldanha

No segundo dia de invasão na Ucrânia, a Rússia lançou mísseis sobre Kiev, capital do país. O bombardeio iniciou na madrugada desta sexta-feira (25). O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, classificou como “horríveis” os ataques dos foguetes russos: “A última vez que nossa capital experimentou algo assim foi em 1941, quando foi atacada pela Alemanha nazista”, escreveu o ministro no Twitter.

O aumento do conflito, que no primeiro dia deixou 137 mortos, de acordo com balanço oficial, levou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a dizer que o país está lutando sozinho e que precisa de ajuda internacional: “Pare Putin. Isolem a Rússia’’, exclamou o presidente, que ainda pediu por “assistência internacional eficaz”.

Zelensky afirmou que ainda é preciso “uma coalizão anti-guerra” e que debateu sobre o assunto com o presidente polonês, Andrezj Duda. As autoridades discutem acionar o “Bucarest Nine”, um organização formada por nove países, criada após a anexação da Crimeia por parte da Rússia. “Defendemos nossa liberdade, nossa terra”, pontuo o presidente ucraniano.

Tropas avançam pelo território

Imagem publicada pela Polícia Nacional mostram os destroços deixados em uma das regiões atacadas pela Rússia – Foto: Polícia Nacional da Ucrânia

Enquanto o presidente ucraniano pede ajuda, tropas russas avançam pelo país. Além do lançamento de mísseis em Kiev e em outras várias regiões do território, o Ministério da Defesa informou que as forças armadas russas ocuparam e destruiram a infraestrutura da ilha Zmiinyi, no Mar Negro, durante a manhã. Na operação, foram mortos 13 guardas de fronteira que recusaram a rendição. 

Além dos pedidos de ajuda internacional e por mais sanções à Rússia, os ucranianos convocaram os homens entre 18 e 60 anos a lutar pelo país ainda na noite de quinta-feira (24). Todos os cidadãos convocados estão proibidos de deixar o território. 

Nesta manhã, o comandante das tropas ucranianas, Yuri Galushkin, declarou que “hoje a Ucrânia precisa de tudo” e que os procedimentos para convocação de civis foram simplificados e que não há restrição de idade. A orientação é de que os homens levem apenas o passaporte e um código de identificação.

Sanções

Nas últimas horas, líderes da Europa têm discutido mais sanções contra a Rússia. O Conselho Europeu, reunido até a madrugada, condenou mais uma vez o governo russo e “exigiu que cesse imediatamente as suas ações militares, retire incondicionalmente todas as forças e equipamento militar de todo o território da Ucrânia e respeite plenamente a integridade territorial”. 

O comunicado não traz detalhes das medidas, mas cita que abrangem “o setor financeiro, os setores da energia e dos transportes, os bens de dupla utilização, bem como o controle das exportações e o financiamento das exportações e a política de vistos”. Ainda de acordo com o documento, as sanções serão adotadas “sem demora”.

No entanto, para o presidente ucraniano, “nem todas as possibilidades foram esgotadas ainda”. Ele relatou que conversou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e que “a pressão sobre a Rússia deve aumentar”. A conversa ocorreu nesta manhã, por telefone.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi mais longe e fechou totalmente o sistema bancário para os russos. Além disso, proibiu empresas privadas estatais e estratégicas-chave de levantar financiamento nos mercados financeiros do Reino Unido.

Segundo o governo, as ações atingem mais de 100 pessoas e empresas, estimando que envolvam 100 bilhões de libras. A companhia aérea nacional russa Aeroflot também foi banida do espaço aéreo do Reino Unido. As autoridades britânicas ainda trabalham para excluir a Rússia do sistema global de comunicações bancárias. Nesta sexta-feira (25), a Finlândia fez uma contribuição de 50 milhões de dólares para a Ucrânia. O valor será destinado para o financiamento da coalizão anti-guerra. 

Recomendação para brasileiros

A última atualização da Embaixada do Brasil em Kiev, divulgada às 5h da manhã (hora local), informa que a recomendação continua sendo a de “abrigar-se em um lugar seguro, acompanhar as notícias e aguardar”. As autoridades classificaram a situação como “instável e imprevisível em várias regiões”.

Na noite de quinta-feira (24), durante a tradicional live do presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, o chanceler Carlos França disse que retirar os brasileiros da Ucrânia “é uma prioridade”. De acordo com o ministro, estão sendo estudadas rotas de saída por países como a Polônia e Romênia, através de estradas e ferrovias. No entanto, França ressaltou que não podiam ser passados mais detalhes por questões de segurança.

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