Seis em cada 10 adolescentes já sofreram violência durante o namoro em Portugal

Pesquisa foi realizada com adolescentes e jovens nas escolas portuguesas. Foto: Canva


Uma pesquisa inédita, realizada com estudantes de escolas portuguesas, indica que a violência em relacionamentos é naturalizada para a maioria do público entrevistado. Para 67% dos jovens, a prática agressiva faz parte da relação. Entre os meninos, a legitimação na violência é quatro vezes maior do que entre as meninas. O mesmo estudo mostra que 58% dos adolescentes já viveram alguma situação de violência em namoro. A média de idade das pessoas participantes é de 15 anos.

O tipo de crime mais relatado na pesquisa foi a violência psicológica, com 20%, seguida da perseguição (17%) e controle de comportamento (14%). Também foram relatadas situações de controle das redes sociais em 9% das pessoas ouvidas. Os crimes de violência sexual e violência física foram citados por 8% e 6% dos estudantes, respectivamente.

Os dados foram apresentados à imprensa nesta sexta-feira (12), às vésperas do Dia dos Namorados, para dar início à campanha #NamorarSemViolência. A iniciativa é do Governo de Portugal, através da Secretaria de Estado para Cidadania e Igualdade.

O objetivo é prevenir e combater a violência de gênero na população jovem.  A secretária de estado para Igualdade, Rosa Monteiro, classificou os números apresentados como “chocantes”.

“É fundamental darmos o passo que vai da rejeição simbólica da violência para a sua rejeição na vida”, explicou. Para Monteiro, é preciso superar estereótipos, por exemplo, o ciúme como forma de amor: “Vemos muitas marcas de gênero que tem como raiz a subordinação e o ciúme”, explicou a secretária, que é perita em igualdade de gênero. Ela vê na prevenção entre adolescentes uma maneira de combater a violência na vida adulta, como os casos de agressão e feminicídio.

A campanha, lançada hoje, tem como principal ferramenta as redes sociais. Foram convidados influenciadores digitais e artistas, que gravaram mensagens em que refletem sobre comportamentos que são violentos. Os vídeos estão sendo divulgados no TikTok e Instagram, que são populares nesta faixa etária: “Para alcançar este público temos de falar a sua linguagem”, ressaltou a secretária.

Escolas

Além das campanhas nas redes sociais, o assunto é também debatido nas escolas, por meio da disciplina de cidadania, que faz parte do currículo português: “É também missão da educação debater este tema”, ressaltou João Costa, secretário adjunto de Educação.

Para o educador, não é somente dever da família falar sobre relacionamentos: “Muitas vezes no seio da família que estão esses comportamentos violentos que são normalizados”, explicou.

A pesquisa realizada nas escolas ouviu, no total, 4.598 estudantes do sétimo ano ao ensino médio. Destes, 3.094 relataram já ter tido algum tipo de relacionamento amoroso. Foram selecionados instituições de ensino localizadas em todas as partes do país. O estudo foi realizado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), através de financiamento do Governo de Portugal.

Além desta iniciativa, outros cinco projetos foram iniciados com financiamento público no último trimestre de 2020, com foco na igualdade de gênero já na infância e adolescência.

Onde pedir ajuda

Os telefones disponíveis são o 800 202 448 ou SMS 3060. Segundo dados da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Gênero, os contatos receberam 1.696 pedidos de ajuda. Em caso de emergências, o número 112 pode ser acionado.

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