Saiba como foi o segundo dia de Rock in Rio Lisboa

Chamada de “Rainha do Rock in Rio”, Ivete Sangalo subiu ao palco principal do evento no início da noite deste domingo (19). Foto: Rock in Rio / divulgação

“Ivete, Ivete” e “Ivete, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!”. Antes mesmo das sete horas da noite, o público lotou o Palco Mundo para esperar o show da “Rainha do Rock in Rio” neste domingo (19). Junto com um grupo de amigos, a brasileira Camila Fernandes estava entre as pessoas endossando o coro à espera de Ivete Sangalo: “Em Portugal é meu primeiro show com ela, mas já vi no Brasil mais de uma vez e nunca enjoa. Ela é demais”, declarou a imigrante, que mora em terras lusas há seis anos.

Sob aplausos e emoção dos fãs, Ivete Sangalo subiu ao palco principal pontualmente, às 19h, com o novo sucesso “Tá solteira, mas não tá sozinha”, acompanhada das bailarinas apresentando a coreografia da música. Após o primeiro sucesso, a brasileira declarou que estava “com muita saudade” do Rock in Rio Lisboa, onde esteve nas duas últimas edições, além de um evento especial realizado em 2019 na Torre de Belém, para celebrar o aniversário de 15 anos do festival em Portugal.

Ivete cantou músicas recentes, mas não faltaram no repertório sucessos antigos como “Poeira”, “Pequena Eva” e “Arerê”. O show também teve a participação do filho de Ivete, Marcelo Sangalo, de 12 anos, que tocou tambor. Diante de um público animado, a baiana desceu do palco e foi até a cerca que separa o público para cumprimentar os fãs, muitos emocionados por estarem perto da cantora. 

A brasileira Isabela Alves, que viu hoje (19) a artista pela primeira vez, resumiu o show como “emocionante e maravilhoso”. Segurando uma bandeira do Brasil, a imigrante acompanhou a apresentação ao lado da família, cantando e dançando todas as músicas.

Entre os fãs de Ivete também estão os portugueses. Usando uma camiseta coma foto da cantora, José Silva foi uma das primeiras pessoas a entrar no parque. “Sou fã incondicional dela, já assisti sete vezes. Vim do Porto só pra vê-la e cheguei cedo pra ficar bem na frente do palco”, conta José ao Agora Europa. O português disse ainda que é um admirador da cultura brasileira e tem muitos amigos do Brasil.

Assim como o público esperava ansioso pelo show com Ivete Sangalo, com a cantora Iza não foi diferente. Um grande número de fãs lotou toda a área do Galp Music Valley. Ao lado da banda e bailarinos, todos vestidos de vermelho, a brasileira realizou uma apresentação cheia de energia do início ao fim. 

Ela revelou ao público que este foi o primeiro show na Europa da carreira, bem como sua primeira viagem para o continente europeu. Iza tocou a mais nova música “Fé” e outros sucessos já conhecidos do público, como “Dona de Mim” e “Ginga”.

No Palco Mundo, Ellie Goulding e Black Eyed Peas encerram a segunda noite do festival, que vai continuar no próximo final de semana. Assim como no primeiro dia, toda a área de shows estava lotada pelo público.

Domingo marcado pelo funk

O segundo dia do festival internacional de música trouxe uma série de apresentações de artistas brasileiros e, desde a abertura dos portões, ao meio dia, o funk tomou conta do festival. O primeiro evento foi o Chá de Funk, com um objetivo que vai muito além de fazer o público dançar. Ao trazer o ritmo à capital portuguesa, o grupo quer divulgar uma mensagem muito mais abrangente: desmistificar estigmas e preconceitos sobre o tradicional ritmo carioca.

“Queremos mostrar que é possível fazer um funk divertido, não apelativo, sem letras explícitas, que pode fazer uma criança de cinco anos dançar ou um adulto”, destaca o produtor carioca Bruno Carvalho, coordenador do grupo. E para isso, o Rock in Rio se tornou a oportunidade para um grande “aulão de funk”, com ensino de coreografias, criadas pela ex-bailarina do Faustão Ariane Magri.

O Chá de Funk é composto por duas dançarinas, um DJ e um MC, todos brasileiros. O projeto nasceu há apenas três meses e já ganha espaço em diversos palcos de Lisboa: “Estamos muito empolgados em termos sido convidados para estar neste grande evento”, celebra o produtor, que mora em Portugal há oito anos. O grupo tocou clássicos do funk como “ela não anda, ela desfila”, além de mostrar coreografias que fazem sucesso nas redes sociais, como “desenrola, bate e joga de ladinho”.

Ainda no embalo do funk, com uma proposta inovadora, subiu ao palco Galp Music Valley o Funk Orquestra, que vai mostrar o estilo carioca através da música clássica. Assim como o Chá de Funk, a iniciativa tem objetivo de mostrar um outro olhar sobre o ritmo, ainda visto com preconceito.

“Queremos quebrar estereótipos e mostrar que funk também é cultura e arte”, destaca o produtor Fábio Tabach, um dos criadores do Funk Orquestra. O concerto será a partir das 15h. É a primeira apresentação internacional do grupo, que já esteve no Palco Favela do Rock in Rio 2019.

A orquestra é formada por 35 pessoas, entre brasileiros, portugueses e moçambicanos: “Nossa ideia é ter um grupo plural, que mostra também a cara do Brasil em Portugal”, ressalta Fábio. Por questões logísticas, parte dos músicos mora em terras lusas, mas todos possuem a mesma conexão com o projeto.

“Nossa iniciativa surgiu com pessoas que são de projetos sociais do Rio de Janeiro, que muitas vezes encaram dificuldades e preconceitos. Em Portugal, buscamos o mesmo, para manter a essência”, explica o produtor, que atua na área do funk há mais de 30 anos.

O brasileiro Júnior Oliveira, que mora em Portugal há 15 anos, relata ter dançado todas as músicas nos shows de funk nesta tarde. “Estava me sentindo em casa”, contou Júnior ao Agora Europa. Junto a ele, o amigo Vitor Lino resumiu que é as atrações demonstraram uma “representatividade importante”. Mas para além do funk, a dupla de amigos, que trabalha na área musical, escolheu participar hoje (19) do Rock in Rio Lisboa especialmente para assistir ao show da cantora Iza.

Júnior Oliveira e Vitor Lino esperam pelo show da cantora Iza no Rock in Rio Lisboa. Foto: Amanda Lima / Agora Europa

Em ritmo de samba

Pouco depois das 15h, o samba invadiu as ruas em frente ao Palco Mundo, com apresentação de dois blocos tradicionais em Portugal: o Colombina Clandestina e depois o Bué Tolo. Ambos são formados por brasileiros que vivem em terras portuguesas.


Os sambistas animaram o público, entre portugueses e brasileiros, com músicas como “Descobridor dos sete mares”, “País Tropical” e “Anunciação”. A paulista Ângela Bastos, que mora em Portugal há três anos, se divertiu com as músicas: “Está tudo muito bom, esse esquenta foi ótimo para o show com a Ivete Sangalo”, relata a imigrante, que disse ser fã da baiana “desde sempre”.

Ângela aproveitou o samba pra entrar no clima dos ritmos brasileiros.

Assim como no primeiro dia de evento, os portões da Cidade do Rock abriram ao meio-dia. A previsão é de mais um dia de sol e calor em Lisboa. O Rock in Rio Lisboa conta com mais de 18 espaços com atrações diversas, incluindo shows, apresentações de dança, arena de esportes e videogame, além da tradicional roda gigante e da tirolesa que passa em frente ao Palco Mundo.

Confira aqui como foi o primeiro dia do festival

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