Portugal recebe 300 mil brasileiros a menos na pandemia

Número de brasileiros que desembarcam no país é 43% que em 2019.
Foto: TAP/Divulgação


A pandemia de Covid-19 trouxe impactos diretos na movimentação de aeroportos, turismo e imigração. O fechamento das fronteiras fez com que muitos brasileiros adiassem os planos de viagem ou mudança para Portugal, um dos países que mais recebe imigrantes na União Europeia (UE). De janeiro a maio deste ano, aproximadamente 329 mil brasileiros deixaram de desembarcar em Portugal, conforme levantamento do Instituto Nacional de Estatística (INE). O número é 43% menor do que o mesmo período de 2019.

A fronteira aérea do país permanece fechada para turistas que vêm do Brasil, mas mesmo cidadãos residentes, que possuem direito de voltar ao país, enfrentam dificuldades. É o caso do jornalista Danilo Pedrazza, que foi para o Brasil passar as férias em fevereiro e ainda não conseguiu retornar a Portugal. Ele possui cidadania europeia, o que dá permissão de entrada no continente, no entanto, a dificuldade está em conseguir uma passagem.

Cinco cancelamentos de bilhetes

Em entrevista ao Agora Europa, ele conta que já teve o bilhete cancelado cinco vezes desde o início da pandemia. Em abril, Danilo comprou a primeira passagem, que seria para julho, mas uma semana foi cancelada: “Quando consigo remarcar, uma semana depois avisam que o voo foi cancelado”, explica.

Após muitas tentativas, burocracias e mais quatro cancelamentos, o jornalista tem bilhete comprado para o mês setembro pela empresa TAP: “Fico horas ao telefone. Teve um dia que consegui (contato) por mensagens no Twitter”, relata. A partida será de São Paulo e Danilo espera que não cancelem o voo novamente. Antes, o brasileiro costumava viajar direto de Porto Alegre, mas, por enquanto, Portugal só aceita voos da capital paulista ou do Rio de Janeiro.

Cinco meses de tentativas

O brasileiro Tiago Belém, que trabalha como cozinheiro em Lisboa, enfrentou a mesma dificuldade para conseguir uma passagem de volta a Portugal. No Brasil desde o início de março, ele só conseguiu retornar ao país na semana passada, cinco meses depois. De Manaus, viajou para São Paulo, onde conseguiu embarcar pela empresa Azul.

Durante cinco meses, Tiago teve muita paciência para ficar horas ao telefone na tentativa de conseguir um bilhete: “Eu tive quatro datas canceladas pela Latam, aí comprei pela Azul, como cidadão português”, explica. A empresa deu direito a utilizar a passagem até o final do ano, mas como não há voos para Lisboa, ele teve que desembolsar outro valor para comprar a passagem.

Queda no total de passageiros

Os cinco principais países com voos para Portugal tiveram queda expressiva entre janeiro e maio. Reino Unido teve 64,9% voos a menos que o mesmo período de 2019, a Alemanha 62,7% e França 58,1%. Em maio, aeroportos portugueses receberam 82,1 mil passageiros, o que representa 98,5% passageiros a menos que o ano passado.

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