Ministra da saúde de Portugal pede demissão após morte de grávida

Horas depois de uma mulher grávida morrer em Portugal quando estava sendo transferida para outro hospital por falta de vagas, a ministra da Saúde, Marta Temido, pediu demissão do cargo. O pedido foi aceito por António Costa, primeiro-ministro do país, na madrugada desta terça-feira (30). De acordo com nota do Hospital Santa Maria, o maior do país, a paciente, de nacionalidade indiana, teve uma parada cardiorrespiratória.

Em breve comunicado, Marta Temido declarou que a decisão de pedir demissão ocorreu “por entender que deixou de ter condições para se manter no cargo”. António Costa, em comunicado, destacou que “respeita a sua decisão e aceita o pedido, que já comunicou ao Senhor Presidente da República”. Foi a primeira baixa do atual governo, que tomou posse no final de março deste ano. 

O primeiro-ministro ainda agradeceu “todo o trabalho desenvolvido pela Dra. Marta Temido, muito em especial no período excepcional do combate à pandemia da Covid-19”. O governo ainda não se pronunciou sobre quem irá ocupar a titularidade da pasta e acrescentou que “prosseguirá as reformas em curso tendo em vista fortalecer o Sistema Nacional de Saúde (SNS) e a melhoria dos cuidados de saúde prestados aos portugueses”.

Maternidades fechadas por falta de médicos

Há meses que a falta de médicos e vagas no SNS é tema de debate no país. Algumas maternidades tiveram o serviço de urgência fechado aos finais de semana ou em alguns turnos por não terem profissionais suficientes para atender às pacientes. Desde junho, o governo passou a divulgar “pontos de situação” sobre quais maternidades estavam fechadas e abertas, nem sempre com as justificativas.

A condição dos médicos da área obstétrica das maternidades portuguesas também tem sido motivo de preocupação. A Ordem dos Advogados, por exemplo, já criticou publicamente que os profissionais obstetras estão realizando excessivas horas extras no país e que atuam “no limite”.

Em declarações públicas, o governo insistiu que estava trabalhando para a solução dos problemas. Em julho, foi aberto um concurso, ainda em andamento, para preencher 1.639 profissionais em diversas áreas. 

O caso que resultou na morte da mulher grávida não foi o primeiro envolvendo o serviço de saúde no país. No início de junho, um bebê morreu durante o parto no Centro Hospitalar do Oeste, em Caldas da Rainha, no Centro do país. 

A instituição alegou, naquela noite, que o hospital estava com número de profissionais reduzidos e o serviço de urgência obstétrica estava fechado inicialmente, mas que a paciente foi atendida. Foi aberto um inquérito para apurar a situação, mas ainda não foi concluído.

Logo após o episódio, a então ministra foi chamada ao Parlamento para dar explicações. Aos deputados, declarou que não iria “explorar os óbitos, o sofrimento de bebês, de mães, de famílias, dos profissionais de saúde que se confrontam com situações limite”. Marta Temido também afirmou que estavam sendo realizadas conversas com diversos setores da saúde para resolver “problemas estruturais do SNS”.

No dia 28 de julho, uma outra gestante também perdeu o bebê após ter que viajar mais de 100 quilômetros para encontrar um hospital que a atendesse. A paciente foi até a cidade de Santarém, uma vez que a maternidade de Abrantes, perto de onde morava, estava fechada.

Compartilhar