Condenado grupo que organizava casamentos arranjados em Portugal

Mulheres em situação de vulnaribilidade eram recrutadas para o esquema.
Foto: Unsplash


Oito pessoas foram condenadas pelos crimes de casamento por conveniência, falsificação criminosa e associação criminosa ontem (22), em Portugal. A pena para o líder do grupo é de nove anos de prisão, segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

O esquema criminoso, que era comandando em Portugal, servia para estrangeiros, especialmente da Índia, obterem legalização em território europeu. Cada imigrante pagava cerca de 12 mil euros pelo casamento falso. A investigação apontou que pelo menos 50 portuguesas foram recrutadas durante os anos em que a organização atuou.

Segundo o serviço de imigração, o grupo procurava mulheres em situação de fragilidade econômica e social para se casarem com os desconhecidos. Cada cidadã recebia de 1,5 mil a 5 mil euros para aceitar participar do casamento em Portugal.

Depois, os casais viajavam para a Bélgica, onde tentavam a legalização que permitia aos maridos permanecerem na União Europeia (UE) e obter “lucros ilícitos com benefícios sociais”, destacam as autoridades de imigração.

Além do líder da organização, as outras pessoas condenadas são cidadãos estrangeiros e uma advogada portuguesa que atuava na região Metropolitana de Lisboa. Conforme a investigação, a profissional fazia a autenticação dos documentos falsos necessários para a organização dos casamentos de conveniência.

Operação em Portugal e na Alemanha

O julgamento, ocorrido na quinta-feira (22), é resultado de uma operação, chamada de “Amouda”. As autoridades investigaram o grupo durante três anos, após detectarem, na Bélgica, um grande número de certidões de casamento portuguesas. Em 2019, a ação foi realizada em ambos os países, com apoio da Europol e policiais belgas e alemães.

Na operação, foram apreendidas certidões de casamento fraudulentas, passaportes das cidadãs portuguesas, comprovantes de pagamento de viagens e do envio de dinheiro entre os membros da organização criminosa.

Casamentos arranjados

A prática de casamentos arranjados entre cidadãos europeus e imigrantes para obter legalização é conhecida em diversos países. Recentemente, na Itália, a polícia descobriu uma agência que organizava o matrimônio de imigrantes com italianas.

Assim como em Portugal, os líderes do grupo buscavam mulheres em situação de vulnerabilidade econômica para aceitarem participar do esquema. Atualmente, segundo a polícia italiana, três pessoas estão sob investigação pelos crimes de corrupção e favorecimento ilegal de imigração.

Leia mais:
Restrições da pandemia no Brasil reduzem emissão de vistos portugueses
Portugal: atendimento a imigrantes volta a ser presencial na segunda-feira
Portugal: imigrantes poderão regularizar documentos em cartórios

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.