Grupo de 80 brasileiros retidos em Portugal reivindica repatriamento


A suspensão dos voos entre Brasil e Portugal, determinada pelo Governo português no final de janeiro, pegou dezenas de brasileiros de surpresa no país, que agora passam por dificuldades. É o caso de Tatiana*, que precisa voltar com urgência ao Brasil para iniciar um tratamento de quimioterapia que não é oferecido em território português.

A passagem da imigrante foi cancelada de última hora, o que a deixou sem ter onde morar em Lisboa, já que havia devolvido as chaves do apartamento. Agora, enquanto procura uma solução, está em um Airbnb com a família: “Mas não posso pagar para sempre”, lamenta.

80 pessoas em incerteza

A incerteza vivida por Tatiana* é compartilhada com, pelo menos, outras 80 pessoas que tinham passagens compradas para voltar ao Brasil entre o final de janeiro e o início de fevereiro. Depois de entrar em contato individualmente, por e-mail e redes sociais, com a Embaixada e com o consulado, o grupo, que já tem 200 participantes, se reuniu por meio das redes sociais em busca de uma solução conjunta.

Os imigrantes estão trabalhando em um documento, já assinado por 80 passageiros, para ser enviado ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, nos próximos dias, na tentativa de conseguir um voo de repatriamento.

A justificativa dos imigrantes é que em 2020, no início da pandemia de Covid-19, o Governo do Brasil pagou sete voos de repatriamento saindo de Portugal. Em nota publicada na última semana, a instituição argumentou que a situação neste momento é diferente, já que no ano passado o repatriamento era para turistas que estavam no país e foram pegos de surpresa. Os brasileiros que estão retidos, no entanto, defendem que a maioria dos passageiros precisa voltar definitivamente à terra natal.

Outro brasileiro prejudicado com a suspensão dos voos é Júnior Sérgio Schneider, natural do Rio Grande do Sul: “Não tem lógica essa medida, foi colocada em vigor do dia pra noite sem deixar tempo hábil para as pessoas se programarem”, destaca o empresário, que tinha passagem marcada para fevereiro.

O gaúcho relata que teve a sorte de conseguir renegociar o aluguel do apartamento por mais uns dias, caso contrário, não teria onde ficar até resolver a situação: “Peço ao consulado que exijam ao Governo português a não prorrogação (da medida). Recebi respostas, polidas e bem escritas, mas nada de concreto até agora”, explica Júnior.

A orientação do consulado é para que as viagens sejam feitas por conexões com outros países europeus, como por exemplo, a Espanha e a Suíça. Os brasileiros, no entanto, reforçam que há muita incerteza em relação aos voos para outras localidades já que a oferta tem diminuído. Além disso, muitos imigrantes relatam não possuir condições financeiras para comprar outra passagem e bancar despesas adicionais com testes PCR, por exemplo, que custam aproximadamente 100 euros cada.

Situação dos voos Europa/Brasil

Nas últimas semanas, muitos países europeus suspenderam os voos do Brasil como forma de prevenir a propagação da nova variante de Covid-19. É o caso da Itália, que prorrogou a proibição dos voos de e para o Brasil até 15 de fevereiro. Já a França fechou as fronteiras para países de fora da União Europeia (UE) e a Alemanha baniu passageiros oriundos do Brasil e de Portugal.

A Espanha pode ser uma opção pra quem quer retornar ao Brasil, uma vez que a proibição de voos com o Brasil imposta ontem (3) afeta somente a entrada de cidadãos oriundos do território brasileiro e não a saída para o país. Porém, imigrantes em Portugal relatam que os voos entre Lisboa e Madri estão sendo cancelados de última hora, uma vez que muitas companhias diminuíram as partidas devido à proibição de viagens para fora do território até o dia 15 de fevereiro. O Agora Europa tentou buscar informações com o Aeroporto de Lisboa, mas não obteve retorno.

Ministério não informa previsão de voos

O Agora Europa também contactou, duas vezes, o Ministério das Relações Exteriores, mas ainda não obteve uma resposta. A última nota oficial sobre o assunto diz que as representações diplomáticas no exterior “não podem, entretanto, interferir na disponibilidade de vagas em voos de qualquer companhia aérea”.

Já o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa tem respondido as demandas imigrantes por meio da página oficial do Facebook. O último comunicado, publicado ontem (3), destaca que, em conjunto com a Embaixada e os demais consulados em solo português, “estão atentos aos interesses dos nacionais brasileiros e têm procurado, com empenho, de forma institucional, encaminhar os pleitos do setor da comunidade afetado pela suspensão dos voos entre os dois países”.

O decreto que proíbe o tráfego aéreo entre Portugal e o Brasil termina no dia 14 de fevereiro. Até o momento, o Governo português não sinalizou se irá prorrogar a medida.

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