Com 14 réus, julgamento do atentado ao Charlie Hebdo começa hoje em Paris

Redação do jornal Charlie Hebdo foi o local mais atingido nos ataques de janeiro de 2015, contabilizando 12 mortes. Foto: Diego Weiler / Agora Europa

O julgamento dos 14 acusados de participação nos atentados terroristas de janeiro de 2015 teve início nesta quarta-feira (02), em Paris. Os ataques ocorreram em três pontos da capital francesa, sendo o principal deles a redação do jornal Charlie Hebdo, onde 12 pessoas foram assassinadas. Ao todo, foram 20 mortes, incluindo os três terroristas.

Os 14 réus são acusados de cumplicidade nos atentados, como apoio ideológico, logístico, financeiro ou material. O processo todo, além do ataque ao jornal, também trata do assassinato de quatro pessoas no supermercado Hyper Cacher e da morte de um policial em Montrouge, ao sul de Paris. São previstas 49 audiências, que devem se estender até 9 de novembro.

Na edição especial desta quarta-feira, o periódico satírico voltou a publicar caricaturas do profeta Maomé, após uma pausa de cinco anos.  A frase “Tout ça pour ça” – Tudo isso por isso, em português  – está na capa da edição, que contém uma miniatura da série de 12 charges publicada pelo Charlie Hebdo em 2006, entre elas uma caricatura do profeta chorando de joelhos com a mensagem “É difícil ser amado por idiotas”. A ilustração é de autoria de Cabu, caricaturista morto no ataque de 7 de janeiro de 2015. A publicação de 2006 é apontada como motivação ao ataque à redação do jornal. “Jamais cederemos. Jamais renunciaremos”, justificou Riss, pseudônimo de Laurent Sourisseau, sobrevivente do ataque e atual diretor do jornal.

Além das 12 charges, a edição de hoje também apresenta um editorial que aborda o retorno do profeta Maomé às páginas do periódico: “Pediram-nos com frequência, depois de janeiro de 2015, para publicarmos outras caricaturas de Maomé. Mas nós sempre recusamos, não porque seja proibido, a lei autoriza-nos a fazê-lo, mas porque era preciso uma boa razão para o fazermos”.

Antes disso, a última vez que o líder do Islã havia estampado a capa do Charlie Hebdo foi em 14 de janeiro de 2015, uma semana após o atentado, com o título “Tout est pardonné” – Tudo está perdoado, em português – e uma caricatura de Maomé com lágrimas nos olhos, segurando um cartaz com a frase “Je suis Charlie”.

 

Profeta Maomé não era visto na capa do jornal desde a edição de 14 de janeiro de 2015, a primeira após os atentados. Foto: Charlie Hebdo / Reprodução
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