Mortes de imigrantes em fronteiras espanholas crescem 102% em um ano


Mais de quatro mil imigrantes morreram tentando atravessar as fronteiras marítimas espanholas em 2021. Comparado ao ano anterior, em 2020, o número representa um crescimento de 102,95%. Os dados são da Caminando Fronteras (Fronteiras Ambulantes, em tradução literal), uma Organização não Governamental (ONG) espanhola. O número representa 12 mortes ou desaparecimentos por dia, segundo o mesmo relatório.

De acordo com o levantamento, publicado nesta segunda-feira (3), entre as vítimas que perderam a vida tentando chegar à Espanha, estão 628 mulheres e 205 crianças. De todos os refugiados que morreram ou estão desaparecidos, quase 95% ainda não foram identificados, revela a ONG.

Conforme a pesquisa, realizada junto aos órgãos oficiais e às comunidades locais de imigrantes através das próprias vítimas e familiares, um total de 83 botes desapareceram com todos os ocupantes nas principais rotas marítimas que fazem fronteira com a Espanha. Entre os trajetos mais utilizados, o caminho às Ilhas Canárias foi considerado o mais perigoso. Somente na rota canária, foram contabilizados 124 naufrágios com 4.016 vítimas. 

Na rota que liga a Argélia ao território espanhol, foram registrados 19 acidentes, onde 191 pessoas perderam a vida ou desapareceram. Através dos outros dois principais caminhos à Espanha, pelo Estreito de Gibraltar e o Mar de Alborão, ocorreram 27 naufrágios com 197 vítimas, segundo o documento.

Agosto foi o mês com maior número de mortes, somando 657 vítimas. O relatório ainda aponta alguns dos países de origem dos imigrantes que tentam a travessia: Marrocos, Argélia, Gâmbia, Mauritânia, Senegal, Guiné-Bissau, Gâmbia, Costa do Marfim, Camarões, Nigéria, Congo, Burkina Faso, Egito, Síria, Iraque, Palestina, Bangladesh, Iêmen e Sri Lanka e Paquistão.

Para Helena Maleno, coordenadora da ONG, os dados de 2021 são “os mais terríveis” da história da organização e refletem a “falta de meios necessários para resgate” das pessoas que estão no mar. Pelos dados reportados à Caminando Fronteras, nos últimos dois anos seguidos houve o dobro de mortes registradas.

Entre 2019 e 2021, foi apontado um crescimento de 393% do índice de vítimas fatais nos naufrágios. De acordo com a organização, este número pode ser ainda maior, já que os ‘’esforços limitados’’ da ONG não podem cobrir todos os eventos que ocorrem nas rotas migratórias à Espanha.

Compartilhar