Espanha: greve dos trabalhadores da Ryanair afeta mais de 200 voos no 1º dia

Uma nova jornada de greve dos funcionários da Ryanair na Espanha, prevista para as próximas três semanas, começou nesta terça-feira (12). No total, serão 12 dias de paralisação. Neste primeiro dia, 15 voos foram cancelados e ao menos 234 registraram atrasos de acordo com o balanço apresentado pelo Sindicato dos Trabalhadores (USO, sigla em espanhol) no início desta noite. A empresa não confirmou o número de voos afetados até o fechamento desta reportagem.

A paralisação ocorre em dez aeroportos onde a companhia possui bases em território espanhol: Madri, Barcelona, Santiago de Compostela, Girona, Málaga, Valência, Ibiza, Palma de Maiorca, Alicante e Sevilha. A greve continuará nos dias 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 25, 26, 27 e 28 de julho.

Os percentuais mínimos de voos que devem ser mantidos em cada um dos aeroportos foram estabelecidos pelo Ministério de Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana da Espanha no dia 8 de julho. Em voos domésticos com trechos entre territórios para fora da península, devem ser mantidos entre 71 e 80% dos voos, dependendo do aeroporto. Já no caso de voos domésticos dentro da península, cujo tempo de viagem em transporte público seja superior a 5 horas, e de voos internacionais, o percentual mínimo de voos mantidos deve ser entre 53 e 59%.

De acordo com o USO e o Sindicato Independente da Tripulação de Cabine de Passageiros de Companhias Aéreas (SITCPLA, em espanhol), a paralisação acontece para exigir uma mudança de atitude da Ryanair: “pedimos que a empresa retome a negociação de um acordo coletivo que inclua condições de trabalho dignas e sob a lei espanhola para seus trabalhadores”.

Esse é o segundo período de paralisação dos tripulantes da Ryanair em menos de um mês. Os trabalhadores já haviam realizado uma greve de seis dias no final de junho e início de julho. Os protestos anteriores, segundo os sindicatos, resultaram em 215 voos cancelados de ou para Espanha e mais de 1.255 atrasos registrados.

Por meio de nota, os sindicatos disseram que cinco pessoas foram demitidas, nesta terça-feira (12), em decorrência da paralisação: “Destes, um esteve em Santiago de Compostela, outro em Girona, mais um em Barcelona, e dois, em Málaga. Na carta de demissão do tripulante de Santiago, está explícito que foi por apoiar a greve”. 

As entidades sindicais destacaram que irão à justiça contra a Ryanair por considerarem que a empresa está utilizando “práticas ilegais para boicotar qualquer tentativa dos trabalhadores de exercerem o seu direito à greve”. Segundo os sindicatos, no passado, três tripulantes também foram demitidos em decorrência de paralisações. 

O Agora Europa entrou em contato com a Ryanair por e-mail no final do dia e aguarda um posicionamento da companhia aérea sobre a greve.

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