Espanha: estudantes retomam as aulas presenciais em setembro

Ministra e comunidades autônomas definem protocolo de medidas sanitárias. Foto: Ministério da Educação

A volta às aulas na Espanha, a partir do dia 6 de setembro, será marcada  pelo retorno dos alunos de forma presencial para todas as séries. O uso da máscara seguirá obrigatório a partir dos seis anos, com possibilidade de retirada apenas nas atividades ao ar livre. Também será mantida a separação de estudantes por grupos de convivência e o distanciamento social entre as classes, que agora diminuirá de 1,5 metro para 1,2 metro.

A decisão do Ministério da Educação e Formação Profissional foi apresentada nesta quarta-feira (25) durante a Conferência Setorial de Educação, que também reuniu representantes das comunidades autônomas do país. Na ocasião, foram abordados os protocolos de segurança para o início do curso escolar 2021/2022 e a evolução da quinta onda da pandemia de coronavírus. 

Conforme apresentado durante a coletiva de imprensa desta quarta, tanto o Ministério quanto as autonomias estão convencidas de que o retorno das aulas será, agora, mais seguro que último período letivo porque a maioria dos professores e parte dos alunos já estão imunizados contra a Covid-19. Segundo Pilar Alegría, titular da pasta da Educação, o país conta com a ferramenta mais eficaz para garantir a presencialidade dos alunos em sala de aula, que é a vacinação.

Vacinação de jovens

Os jovens entre 12 e 19 estão sendo vacinados em todo o país para prevenir o contágio na volta às aulas. Segundo o último informe do Ministério da Saúde, 61,7% deste grupo prioritário já está vacinado com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19, e 16,4% está completamente imunizado contra a nova doença.

A expectativa do Ministério da Saúde é que todos os estudantes dessa faixa etária possam estar completamente vacinados, com as duas doses, até novembro.

Mantido protocolo de medidas sanitárias

Para garantir uma volta às aulas segura de professores e alunos, seguirá sendo exigida a limpeza, desinfecção e ventilação diária das salas e espaços comuns, em todas as escolas. Em casos excepcionais em que esta medida não possa ser cumprida, as aulas poderão voltar a ser semipresenciais a partir do 3º ano da ESO a Bachillerato (a partir dos 12 anos).

O acordo com as comunidades planificou quatro diferentes cenários em função da situação epidemiológica de cada município ou região autônoma, com níveis de alerta de 1 a 4, que incluem restrições e medidas excepcionais.

Além disso, as salas de aulas poderão aumentar a capacidade de alunos, de 20 a 25, com exceção dos estudantes de 1º a 4º de Primária (6 a 10 anos), que manterão os grupos de convivência estáveis (na Espanha, chamados de “burbujas”).

Espanha é destaque na União Europeia

No curso passado, as normas de prevenção aplicadas deram resultado e permitiram a Espanha manter praticamente todos as escolas abertas, durante todo o ano. O número de salas de aulas em que os alunos tiveram que fazer quarentena em função de algum contágio detectado foi inferior a 2%, segundo o Ministério da Educação e Formação Profissional.

Em comparação com outros países desenvolvidos, que fecharam parcial ou totalmente os colégios, a Espanha manteve a posição de seguir com as aulas presencialmente, respeitando todos os protocolos sanitários exigidos como lavagem frequente de mãos, uso obrigatório de máscaras, ventilação e estudantes separados por grupos de convivência.

De acordo com o relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), sobre a infância e o papel dos centros educacionais na transmissão do coronavírus, a volta às aulas desde meados de agosto de 2020 não teve um impacto significativo sobre o aumento de casos nos estados membros da União Europeia. Não foi demonstrado que professores e funcionários do entorno educacional apresentam um risco maior de infecção do que outras profissões. Algumas medidas adotadas à risca como distância física, ventilação permanente com ar externo e uso adequado de máscara, provaram ser eficazes para prevenir a transmissão no ambiente educacional.

Aposta pela presencialidade também nas universidades

O ministério das Universidades também defende que os alunos possam retornar às salas de aula de forma presencial e com a possibilidade de diminuir a distância entre as mesas (que agora passaria para 1,2 metros), sempre tendo em conta o contexto específico de cada comunidade autônoma.

De acordo com o titular da pasta, Manuel Castells, o aumento da presencialidade implica em menos rotatividade de estudantes nas universidades e menos conteúdo online.

Também será mantido o uso obrigatório da máscara em todos os ambientes universitários e a higiene das mãos como medidas básicas para evitar a transmissão de Covid-19. Além da ventilação frequente dos espaços comuns e a limpeza dos centros educativos.

Os estudantes que apresentarem sintomas da doença ou estiverem em quarentena com suspeita de serem casos positivos, não deverão frequentar as universidades.

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