Em cinco dias, vulcão destrói mais de 200 hectares em La Palma

A lava segue avançando lentamente pelo território, deixando um rastro de destruição. Foto: Twitter UME

Após cinco dias de erupção do vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, nas Ilhas Canárias, a lava segue avançando lentamente pelo território, destruindo plantações, moradias e estradas. De acordo com o governo local, 220 hectares de área já foram atingidos. Na tarde desta quinta-feira (23), o vulcão voltou a emitir fortes rugidos, com novas explosões de fogo e uma chuva de cinzas e rochas vulcânicas.

Ainda não há previsão de quando a lava vai atingir o mar, pois está se expandido lateralmente no território, o que torna a erupção mais violenta em terra. Nos mais de 200 hectares de área atingidos, foram afetadas 374 casas e edifícios e quase seis mil pessoas seguem desalojadas em albergues, hotéis e casas de familiares e amigos. Atualmente, há cinco bocas eruptivas ativas, segundo os últimos dados do satélite europeu Copernicus.

A estimativa dos membros do Plano de emergência Vulcânica das Canárias é que os danos podem ultrapassar os 400 milhões de euros. Nesta quinta-feira (23), o rei Felipe VI e a rainha Letícia Ortiz visitaram as zonas mais afetadas pela erupção do vulcão na ilha de La Palma, acompanhados do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

“Estamos atônitos pelo que vimos e não vamos esquecer. Vai demorar muito para voltar à normalidade, mas La Palma vai conseguir”, declarou o rei Felipe VI.

Para ajudar as famílias atingidas, que perderam tudo com a erupção do vulcão (casas, negócios, plantações inteiras de banana e muitos animais), o governo das Ilhas Canárias realizou a compra de 280 casas em La Palma. Além disso, outras casas pré-fabricadas serão destinadas aos moradores. Entidades bancárias e associações nacionais de crédito também anunciaram que vão auxiliar com a doação de móveis.

Descartada chuva ácida

Ainda nesta quinta-feira (23), a Agência Meteorológica Estadual (Aemet) descartou a possibilidade de uma chuva ácida nas Ilhas Canárias e afirmou que, por enquanto, a qualidade do ar é “boa”. De acordo com a Agência, no entanto, a emissão de cinzas afetou as operações aeronáuticas e ocasionou o atraso de vários voos. Por isso, embora o espaço aéreo esteja aberto, o Governo das Ilhas Canárias solicitou à Administração de Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea (Enaire) a criação de duas áreas restritas para voos, nas proximidades do aeroporto de La Palma, para facilitar as operações de emergência.

Plantações de banana em risco

Assim como os demais moradores, os agricultores tiveram poucas horas para salvar parte de suas plantações, principalmente as de banana, que representam o principal produto agrícola da região. Muitos voluntários e profissionais de segurança e emergência trabalharam intensamente, nesta quinta-feira (23), para auxiliar os habitantes que acumulam perdas.

A produção de banana representa 50% do PIB da Ilha e 30% dos empregos gerados em La Palma, e está ameaçada com a destruição da superfície agrícola atingida pela lava vulcânica. De acordo com a Associação das Organizações de Produtores de Banana das Canárias (Asprocan), mais de 5.300 produtores da ilha e cerca de 10 mil famílias dependem diretamente do cultivo da fruta. Ao todo, são produzidos mais de 400 mil quilos de banana por semana na localidade.

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