Coronavírus já estava na Espanha 41 dias antes de primeiro caso na China, diz Universidade de Barcelona

Covid-19 foi encontrado em amostras de esgoto de duas estações de tratamento (Foto: Agència Catalana de l'Aigua)
Vírus foi achado em esgoto de Barcelona coletado em 2019 (Foto: Agència Catalana de l’Aigua)

Por Estevao Pires, de Barcelona.

A Universidade de Barcelona (UB) publicou nesta sexta-feira, 26, um estudo que aponta a localização do novo coronavírus na cidade catalã 41 dias antes da declaração oficial de um primeiro caso em Wuhan, na China.

O vírus foi detectado em amostras de águas residuais congeladas coletadas no dia 15 de janeiro de 2019 em estações de tratamento de esgoto de Barcelona. Já a cidade chinesa anunciou ao mundo o registro número 1 no dia 25 de fevereiro do mesmo ano.

De acordo com o comunicado no site da universidade, a presença da Covid-19 nestas datas provaria que a circulação do vírus acontecia “muito antes” do que se imaginava. A pesquisa com coleta de água do esgoto aconteceu em duas estações de tratamento da cidade.

“A evolução da doença pode mudar de acordo com um novo estudo liderado pela UB, com a colaboração da Aigües [departamento de água e esgotos] de Barcelona”, diz a nota oficial sobre a pesquisa no site da universidade.

O novo coronavírus também foi detectado em amostras do esgoto de Barcelona do dia 12 de março do ano passado. Segundo a universidade, essa informação provaria que a cidade passou a ser o local no mundo onde amostras mais antigas foram encontradas até agora, mas isso não significa que o vírus se originou na capital catalã.

“Embora a Covid-19 seja uma doença respiratória, foi demonstrado que grandes quantidades do genoma do coronavírus estão presentes nas fezes, que posteriormente atingem as águas residuais. Essa circunstância tornou a epidemiologia baseada em águas residuais uma ferramenta potencial para o alerta precoce da circulação de vírus na população”, informa a nota com os resultados da pesquisa.

“Os níveis do genoma SARS-CoV-2 coincidiram claramente com a evolução dos casos Covid-19 na população”, explicou o coordenador do trabalho, Albert Bosch.

Para os pesquisadores, a localização da presença de vírus antes do diagnóstico dos primeiros casos mostra, para os especialistas, que muitos infectados com Covid-19 poderiam ter sido confundidos com casos de influenza na Atenção Básica.

“A detecção da disseminação com um mês de antecedência teria permitido uma melhor resposta à pandemia”, afirmou Bosch. O estudo ainda aguarda validação e foi enviado e publicado pela revista científica MedRxiv.

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