Temperaturas na Europa podem subir acima da média global, aponta estudo

O relatório realizado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), publicado hoje (9), apontou que as temperaturas nos países do continente europeu podem subir acima da estimada média global em decorrência das alterações climáticas. De acordo com o documento, que foi produzido ao longo de cinco anos por mais de 200 cientistas, estima-se que as temperaturas na Europa subam acima de 2°C em todas as regiões até a metade do século, se o cenário de emissão de gases de efeito estufa não mudar drasticamente.

A Organização das Nações Unidas (ONU), à qual pertence o IPCC, acionou o ”código vermelho para a humanidade” ao revelar que a frequência e intensidade das ondas de calor, como as observadas neste verão em diversas regiões da Europa e que provocam graves incêndios, devem continuar aumentando, independentemente do cenário de emissões de gases do efeito estufa.

Os cientistas projetam também uma subida de precipitação no inverno nos países situados no norte, o que pode causar enchentes em todas as áreas, exceto no Mediterrâneo. Nesta região, a previsão é de aumento na aridez, condições propícias para secas e incêndios, como os que já vem sendo registrados nos últimos 10 dias na Itália, Grécia e Turquia.

Além disso, os alagamentos devem se tornar mais frequentes em função do aumento do nível relativo do mar, estimado pelos pesquisadores. Neste verão, países europeus foram afetados por várias enchentes, que mataram mais de 170 pessoas e causaram prejuízos de milhões de euros.


Relatório aponta mudanças climáticas inéditas em milhares de anos 

Na coletiva que apresentou o resultado do trabalho de apuração conduzido pelo IPCC, os cientistas alertaram que a meta de reduzir a emissão de gases do efeito estufa e limitar o aquecimento global a 1,5°C definida no Acordo de Paris, em 2015, será “inviável de alcançar”, a menos que haja um comprometimento imediato, rápido e em larga escala. 

A publicação divulgada hoje também responsabiliza a ação humana pelas mudanças climáticas. O aumento da emissão de gases de efeito estufa pelo homem provoca o aquecimento na superfície global a níveis sem precedentes, graves precipitações e o derretimento acelerado das geleiras.

De acordo com os cientistas, as maiores evidências de que a influência humana aqueceu rapidamente a atmosfera, o oceano e a terra, são as recorrentes e mais intensas ondas de calor, que, antigamente, ocorriam uma vez a cada dez anos; os episódios de enchente; seca e ciclones tropicais. Segundo os pesquisadores, os fenômenos ganharam força desde o 5º Relatório de Avaliação do IPCC, o AR5, divulgado em 2013. 

As graves consequências do aumento da temperatura global são consideradas irreversíveis por centenas ou milhares de anos, especialmente as percebidas nos oceanos, geleiras e nível do mar, sugere a mais recente publicação do órgão das Nações Unidas. Os especialistas ainda afirmam que as mudanças climáticas já alcançam e ameaçam todas as regiões inabitadas do globo. 

Entre as principais sugestões apontadas no documento para desacelerar o aquecimento do planeta e melhorar a qualidade do ar, estão a redução de emissões dos gases do efeito estufa e metano. No cenário atual, as temperaturas na superfície podem subir além dos 2°C em menos de 30 anos, estimam os cientistas.

Repercussão na Europa

Líderes mundiais e ativistas repercutiram as descobertas e apontamentos feitos pelos cientistas no relatório divulgado pelo IPCC. A ativista ambiental sueca Greta Thunberg, declarou nas redes sociais que a humanidade vive uma situação de emergência e encorajou a todos a tomarem decisões a fim de impedir que as previsões anunciadas pelos cientistas aconteçam: ‘’Nós ainda podemos evitar as piores consequências, mas não se continuarmos como hoje, e não sem tratar a crise como uma crise’’, pontuou a jovem.

António Guterres, secretário geral das ONU, declarou que as evidências são irrefutáveis e que as emissões de gases poluentes estão colocando bilhões de pessoas em perigo: ‘’O aquecimento global está afetando todas as regiões na Terra, com muitas das mudanças se tornando irreversíveis’’, lamentou o líder global.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que o aumento da temperatura global para 1,5°C vai ser evitado somente com a redução de emissão de gás carbono a zero até 2050. Após a publicação, a comissão repercutiu nas redes sociais as metas que constam no chamado “Green Deal” (Acordo verde, em tradução livre).

Entre as metas do acordo, está a utilização de energia renovável em 49% dos edifícios nos países do bloco e a redução na emissão de gás dos transportes. Os líderes europeus endossaram, em encontro no final de 2020, o objetivo de reduzir as emissões líquidas em pelo menos 55% até 2030.

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