Pandemia: vestido de ‘morte’ em Berlim, brasileiro busca ajuda ao Brasil

Brasileiro realiza percurso de 5 km para chamar atenção à pandemia de Covid-19 no Brasil – Foto: Rafucko / Twitter


*Com a colaboraçao de Amanda Lima e Daiane Vivatti.

Em frente ao bicentenário parque Köllnischer, nas proximidades da Embaixada Brasileira, em Berlim, a “morte” aguarda o sinal da meia-noite. O trocar do dia tem sido o ponto de largada de Rafael Puetter, de 35 anos, para uma caminhada de quase cinco quilômetros da sede da diplomacia brasileira até o Parlamento alemão. O cajado na mão direita e a longa capa preta personificam a morte, que nas costas traz a mensagem: “SOS Brasil”. Desde o dia 18 de março deste ano, Rafucko, como é conhecido, tem realizado manifestações artísticas como protesto para chamar a atenção de autoridades estrangeiras à crise epidemiológica em curso no país em que nasceu, o Brasil.

À meia-noite berlinense, com sementes de girassol em mãos, Rafucko inicia o trajeto onde reconta os óbitos por Covid-19 registrados nas últimas 24 horas em território brasileiro. Para cada morte, uma semente é depositada em uma pequena vasilha transparente. A contagem só termina em frente ao Deutscher Bundestag, o Parlamento alemão, após quase uma hora de caminhada que, em grande parte, é escoltada pela polícia local. A performance, segundo Rafael, possui dois objetivos principais: buscar ajuda de autoridades estrangeiras para o controle da pandemia no Brasil; e sensibilizar a comunidade internacional para a aplicação de sanções aos líderes do atual governo brasileiro, sobretudo à figura do presidente Jair Messias Bolsonaro.

Do dia 18 de março, quando realizou o primeiro ato, até essa terça-feira (6), o Brasil já somou 52,1 mil mortes por coronavírus, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde do Brasil (Conass). Para cada óbito, o artivista guarda uma semente de girassol que, juntas, já somam quase quatro quilos.

“A ideia surgiu da angústia que eu sinto em ler notícias do Brasil. Não apenas notícias da mídia, mas também das que recebo da minha família, dos meus amigos. Eu morei 30 anos da minha vida lá, eu conheço a realidade do Brasil. Então, a ideia surge de uma empatia básica. (…) Eu acho que é minha obrigação fazer algo. Eu gostaria de ver o governo daqui colaborando para que isso não acontecesse, sabe?”, questiona Rafucko.

Por enquanto, o brasileiro, que mora há cerca de cinco anos em Berlim, ainda não sabe até quando manterá as performances diárias. O plano de Rafucko, no entanto, é plantar parte das sementes de girassol acumuladas durante os atos no jardim situado em frente à Embaixada brasileira. O artivista também diz que doará as sementes para pessoas interessadas em cultivá-las em memória às vítimas da pandemia de Covid-19 no Brasil.

“Apesar de eu ter idealizado isso, de ser eu quem faz e tal, eu não faço isso sozinho. Apesar de algumas vezes eu estar sozinho na caminhada ou na contagem, tem sempre gente acompanhando online, tem as pessoas que estão em pensamento, as que estão desejando sucesso. (…) Tem muita colaboração de muita gente”, ressalta o imigrante.

Além dos 52,1 mil óbitos por Covid-19 registrados no Brasil desde que Rafuck iniciou os protestos, outras 1,3 milhão de pessoas contraíram a doença no país, no mesmo período, segundo o Conass. Desde o início da pandemia, já foram contabilizados 13,1 milhões de casos e 336,9 mil mortes em função da doença no solo brasileiro.

Protestos na Europa

Berlim não é a única capital europeia que tem sido palco de protestos de brasileiros atualmente. Nos últimos dias, também foram registrados atos na França e em Portugal.

Na semana passada, cartazes foram colados no prédio no Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, como forma de chamar atenção para o número de mortos causados pela Covid-19 no país – mais de 300 mil.

Em Paris, no último domingo, coletivos realizaram uma manifestação artística com fumaça vermelha na sede da Embaixada brasileira. Além de cartazes em que também chamam atenção para as milhares de vítimas do vírus, foram penduradas máscaras pintadas com cor de sangue e bandeiras do Brasil.

Leia também
– Itália prorroga restrições aos viajantes do Brasil até o final de abril
– Croácia libera turismo, mas embaixada diz que há restrição para brasileiros

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *