Trens cheios e uso incorreto de máscara preocupam passageiros em Lisboa

O trem é um dos meios de transporte mais utilizados pelos trabalhadores em Lisboa e região metropolitana. Foto: Amanda Lima


Em meio ao cenário de pandemia, uma das regras básicas tem sido manter o distanciamento social mínimo de 1,5 ou 2 metros. No entanto, nem todo local oferece espaço suficiente para o cumprimento desta medida. Este é o caso de quem utiliza diariamente o transporte público para trabalhar em Lisboa e Região Metropolitana, onde está o maior número de casos de Covid-19 em Portugal. Nesta semana, porém, o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que não há ligação entre a lotação dos trens e o aumento de casos da doença.

A declaração foi baseada em um estudo científico realizado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e apresentado na reunião periódica do governo com especialistas em saúde. “Linhas que à partida se consideraria de risco maior para a propagação da doença representam afinal um risco escassíssimo e não constituem um fator causal determinante ou decisivo”, destacou o presidente. O estudo referido por Sousa não foi divulgado publicamente.

A visão de quem viaja diariamente

Quem frequenta diariamente as linhas dos municípios com maior número de casos na região metropolitana não se sente sempre seguro. É o caso do brasileiro Bruno dos Santos, que passa duas horas e meia do seu dia dentro de um trem no deslocamento para o trabalho. Ele percorre 14km de Lisboa a Queluz, utilizando a linha de Sintra, a 28km da capital. Sintra atualmente está em estado de calamidade por conta da doença. “Tá mais cheio nos últimos dias, se comparado com as últimas semanas”, lamenta Bruno.

A brasileira Carla Ribeiro, que reside em Lisboa, percorre 13 quilômetros, diariamente, para chegar ao trabalho em Amadora. Insegura sobre o os números da pandemia no país, a assistente de serviços gerais diz que só usa o transporte público porque não possui outra alternativa: “uso porque não tem outro jeito”, lamenta Carla.

O uso de máscara é obrigatório e passível de multa de até 350 euros no caso de descumprimento. Existem placas espalhadas pelas estações e nas catracas de acesso que reforçam a obrigatoriedade aos passageiros.  A Polícia de Segurança Pública (PSP) realiza fiscalização diária nas estações, como confirmou o Agora Europa na estação de Amadora, uma das mais movimentadas da Região Metropolitana de Lisboa. Seis policiais fiscalizavam o embarque dos passageiros no horário de pico, entre às 7h e 8h.

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Máscara no queixo

O problema, de acordo com Bruno, ocorre dentro dos vagões, onde a fiscalização não é frequente: “Já vi gente com a máscara no queixo, é uma irresponsabilidade”, critica o barbeiro. Segundo a companhia ferroviária a responsabilidade é de cada um: “Todos os clientes são responsáveis pelo cumprimento destas normas. Ao adotar estas normas protege-se a si e protege os outros”, destaca em placas fixadas nas entradas das estações.

 

Santos comenta que nem sempre há lugares para sentar nos vagões, sendo frequente que faça a viagem em pé. A Direção Geral de Saúde (DGS) determina que a lotação máxima dos trens seja de dois terços da capacidade dos vagões.

A cobrança ao governo

A utilização de transportes públicos em Lisboa e região metropolitana no desconfinamento é bastante discutida em Portugal. Na última reunião da comissão parlamentar de saúde, a oposição cobrou do governo um posicionamento sobre a lotação dos trens, relacionando com o aumento de casos. Também no Parlamento, que contava com a presença do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos,  a deputada Sandra Pereira, do Partido Social Democrata (PSD), da bancada de oposição, afirmou que o Governo “desconhece a realidade diária dos transportes de Lisboa na hora de ponta. Todos os dias nos chegam testemunhos de lotações acima dos dois terços nos transportes de Lisboa”.

Por outro lado, a ministra da Saúde, Marta Temido, alega que não há relação entre o surto e os transportes. No entanto, o governo analisa reforço de trens na linha de Sintra, a mais utilizada na região, mas só em setembro.

Recomendações no uso dos transportes

  • Se se sentir doente, não viaje.
  • Evite viajar nas horas de pico, se possível.
  • Compre bilhetes nos canais digitais e máquinas de venda automática.
  • Lave ou desinfete as mãos antes da viagem.
  • Utilize, uniformemente, todas as portas de embarque.
  • Antes de embarcar espere que os outros clientes desembarquem.
  • Use máscara. É obrigatório para passageiros com idade igual ou superior a 10 anos.
  • Não deixe as máscaras e luvas usadas no comboio.
  • Tape a boca e o nariz, ao tossir ou espirrar, com o braço.
  • Mantenha a distância de segurança.
  • Antes do desembarque não saia do seu lugar com antecedência.
  • Lave ou desinfete as mãos quando terminar a viagem.

Ao todo, 21.926 casos de Covid-19 já foram confirmados em Lisboa e Região Metropolitana da Capital portuguesa. Destes, 527 pessoas morreram em função da doença.

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