Tráfico humano: promessa de trabalho motiva 75% dos casos em Portugal


A falsa promessa de emprego e estabilidade na Europa tem submetido dezenas de imigrantes a condições de exploração do trabalho em Portugal. Em 2020, 75% (77) das 98 vítimas do crime de tráfico humano tiveram como destino a exploração da força de trabalho no território luso. Os números compõem o relatório “Tráfico de Seres Humanos”, divulgado nesta segunda-feira (18) pelo governo português, e que marca também o dia mundial de combate à prática criminosa.

De acordo com o relatório, a promessa de oferecer um trabalho e legalização em Portugal é o “método de recrutamento transversal à maioria dos casos”, quando as vítimas são de fora da União Europeia (UE). Entre as nacionalidades mais traficadas, está a indiana, com 35 pessoas, moldava (11) e paquistanesa (10). 

Segundo o documento, em 2020 foram registrados quatro casos de brasileiros: dois homens e uma mulher com um filho. Os cidadãos do Brasil estão em sexto lugar no ranking oficial. Todos já voltaram ao Brasil, apoiados pelas autoridades.

Em relação ao perfil das vítimas, a maior parte são homens e adultos. Foram registrados também cinco casos de meninas africanas que viajaram ao país com a promessa de adoção ou trabalho. 

Sobre as áreas em que a mão de obra do tráfico humano é utilizada, o relatório pontua que predomina a agricultura, seguida da área de restaurantes, esportes e serviços domésticos. O documento pontua que os números em geral “seguem uma tendência dos anos anteriores”. 

Em Portugal, a lei permite que as vítimas de tráfico humano possam solicitar Autorização de Residência. Em 2020, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) emitiu 20 documentos. Destas, 14 pessoas beneficiadas são homens e seis, mulheres. 

Todos foram vítimas de exploração no trabalho: 15 no setor da agricultura, quatro na área de restaurantes e outra em serviços domésticos. A maioria das vítimas é da índia, seguida do Paquistão e Nepal. No total, o órgão recebeu 25 pedidos em 2020, mesmo número de 2019.

Além da exploração no trabalho, os demais casos registrados oficialmente são de exploração sexual, prática de ações criminosas e adoção ilegal.

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