Portugal exibe ouro e jóias do Brasil em novo museu inaugurado nesta semana

Acervo fica dentro de uma caixa forte com portas blindadas. Foto: Amanda Lima/Agora Europa


Ouro, 12 mil diamantes e muitas outras jóias preciosas extraídas por portugueses durante a colonização no Brasil estão exibidos no mais novo museu inaugurado em Lisboa. O Museu do Tesouro Real, cujas portas foram abertas nesta semana, guarda todas as jóias da antiga família real de Portugal. As coleções somam mais de mil peças e, pela primeira vez, estão em organizadas em um único local.

“A maior parte dos materiais utilizados para a confecção das jóias e artigos são do Brasil”, explicou o diretor do Palácio Nacional da Ajuda, José Alberto Ribeiro, à equipe do Agora Europa, que esteve no local. Dividido em três andares e 11 núcleos, o primeiro é chamado de “Ouro e diamantes do Brasil”, onde estão materiais brutos e também lapidados. 

Uma das peças é o que acreditam ser o famoso “Diamante de Bragança”, que é uma pedra preciosa de 1.680 quilates, extraída de Minas Gerais por volta do ano de 1740. A jóia é considerada uma das mais importantes da monarquia. Segundo a nota explicativa, especialistas acreditam que a pedra é um topázio.  De acordo com José Alberto, a peça costumava ser usada como garantia quando Portugal realizava empréstimos de outros países.

Outro artigo é uma pepita de ouro que pesa aproximadamente 22 quilos. A peça, considerada uma das maiores do mundo, também foi extraída no Brasil, no estado de Goiás. A pepita está em posse de Portugal desde então, sendo enviada imediatamente para Lisboa quando foi descoberta.

Peça pesa que 22 quilos. Foto: Divulgação/Governo de Portugal

A exposição não traz detalhes sobre como ocorreu a escavação das peças nem sobre o uso de mão de obra escrava. O governo considera as jóias como “símbolo de poder” e que representam “uma das mais importantes coleções mundiais”. 

Na inauguração, o primeiro-ministro, António Costa, declarou que o patrimônio é uma marca da identidade portuguesa: “Investir no nosso patrimônio significa investir na preservação da nossa cultura, no que são as marcas da nossa identidade que foi sendo construída ao longo dos séculos”, destacou Costa.

Além das peças de ouro, prata, rubis, safiras e diamantes, estão expostas coroas, insígnias, artigos religiosos, mantos, centros e malas utilizadas para as viagens ao Brasil, além de artigos pessoais como a escrivaninha móvel de D. Pedro I. Tapeçarias, quadros e pinturas também estão nas paredes do museu, que possui ainda painéis digitais interativos.

Todos os vidros que protegem os artigos são blindados. Foto: Divulgação/Governo de Portugal

Alta segurança 

A segurança do local é definida pelo diretor como “de filme”. Localizado dentro do Palácio da Ajuda, o museu fica dentro de uma caixa-forte de 40 metros de comprimento, 10 de largura e 10 de altura. O espaço possui apenas duas portas, uma para saída e a outra para entrada. Ambas possuem blindagens e pesam cinco toneladas cada. 

Todos os vidros onde estão expostas as peças são à prova de balas. A localização da caixa dentro do prédio também é estratégica em relação à posição solar e resistente a abalos sísmicos. Para entrar no prédio, os visitantes precisam passar por máquina detectora de metais e raio-x em bolsas e mochilas. 

O projeto, lançado em 2016, custou 31,4 milhões de euros ao governo luso. A estimativa é que mais de 275 mil pessoas anualmente visitem o novo museu. O local está aberto todos os dias, das 10h às 19h. O valor da entrada é de 7 euros para pessoas de 7 a 24 anos e maiores de 65 anos, e 10 euros para visitantes entre 25 e 64 anos. Menores de 6 anos não pagam.

O Palácio da Ajuda, um dos principais pontos turísticos da capital portuguesa, fica no Largo da Ajuda. O endereço é acessível de transporte público, através dos ônibus número 729, 732 e 742, além do bonde número 18.

Extração de mineirais brasileiros e escravidão

A extração em grande escala dos minerais brasileiros pelos colonizadores portugueses começou quase dois séculos após o desembarque dos lusos no território sulamericano. Em 1695, “a existência substancial de ouro começou a se fazer anunciar onde atualmente se encontra o estado de Minas Gerais, na região de Sabará, no rio das Velhas”, registra o Arquivo Nacional brasileiro.

Em 1720, também é descoberta a existência de diamantes no norte do Estado de Minas Gerais, em Serro do Frio. Grande parte da atividade de extração era realizado por garimpeiros aventureiros e, sobretudo, pessoas escravizadas pelos portugueses, sendo tanto comunidades indígenas quanto cidadãos africanos.

No continente americano, o Brasil foi o país que importou mais escravos africanos. Entre os séculos XVI e meados do XIX, vieram cerca de 4 milhões de homens, mulheres e crianças, o equivalente a mais de um terço de todo comércio negreiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE)

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