Lisboa: manifestantes protestam por mais segurança após morte de ciclista

Mesmo com chuva, protesto reuniu mais de 100 pessoas. Foto: Sheyla Ventura / Arquivo pessoal


Mais de 100 pessoas protestaram em Lisboa, na manhã deste sábado (3), após a morte de uma ciclista, atropelada em uma avenida da capital portuguesa na última semana. O evento, chamado de “Podias ser eu, podias ser tu”, teve organização da Associação Pela Mobilidade Urbana em Bicleta (Mubi), em parceria com outras entidades do setor ciclístico.

O objetivo foi homenagear Patrizia Paradiso, a segunda ciclista morta por atropelamento em Lisboa no período de um ano. A vítima, que estava grávida de cinco meses, era italiana e trabalhava como pesquisadora universitária.

A maior parte dos manifestantes estava de bike e carregava faixas com frases de protesto, como “menos ódio e mais segurança”. Os participantes também levaram flores, que foram deixadas em uma bicicleta branca no local onde a vítima foi morta. O grupo ainda realizou 20 minutos de silêncio.

A brasileira Sheyla Ventura, que escolheu a bicicleta como meio de transporte em Lisboa, diz sentir que falta segurança para os ciclistas na cidade: “É inaceitável que as pessoas que usam carro não tenham respeito com ciclistas e pedestres”, avalia a imigrante, que participou do protesto.

Os manifestantes também reivindicaram “medidas urgentes para redução efetiva do perigo rodoviário, e o fim dos atropelamentos de utilizadores vulneráveis nas ruas e estradas portuguesas”. Uma carta com as reivindicações foi enviada ao Governo, que, até o momento, não se manifestou sobre o caso.

Além da vigília em Lisboa, outros eventos foram realizados com o mesmo propósito em cinco cidades do país. O atropelamento está sendo investigado pela Divisão de Trânsito da Polícia de Segurança Pública (PSP). Patrizia, que foi atropelada na manhã do dia 26 de junho, chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital.

Ciclovias e bicicletas na cidade

Segundo o último levantamento oficial da Câmara Municipal de Lisboa, realizado em 2019, existem mais de 20 mil pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte diário, o que representa 2% de todas as viagens na cidade.

A prefeitura também vê um aumento no uso do equipamento através do programa de apoio na compra de bicicletas. Conforme reportagem do Agora Europa, no primeiro mês da renovação da iniciativa, houve um aumento de 70% na procura pelo programa. Em 2020, a iniciativa recebeu um total de 4,1 mil participantes e cerca de 90% dos pedidos foram aceitos.

Recentemente, a Câmara Municipal de Lisboa também anunciou a construção cinco novas ciclovias na cidade, que irão ligar cinco municípios e bairros lisboetas. A previsão é que a obra seja concluída até 2022.O recurso para a construção é do Fundo Ambiental português.

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