Macron visita Rússia e UE promete sanções em caso de invasão à Ucrânia

Cerca de 1,2 mil soldados do Reino Unido, França e Estônia realizam exercícios militares de inverno no território estoniano – Foto: Otan

O presidente francês, Emmanuel Macron, viajou para Moscou nesta segunda-feira (7), onde tem um encontro agendado com o presidente russo, Vladimir Putin. A visita é consequência de um aumento das tensões e movimentos militares, nas últimas semanas, na fronteira da Rússia com a Ucrânia. Após a visita ao líder russo, Macron também encontrará o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Nesta terça-feira (7), o novo chanceler alemão, Olaf Scholz, também irá percorrer o mesmo caminho de Macron, visitando Putin e Zelensky. A Alemanha pode ser um dos países mais afetados caso a Rússia aplique sanções ao continente europeu, já que os russos são um dos principais fornecedores de gás natural para os alemães.

Por outro lado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou nesta segunda-feira (7) que o bloco irá adotar ações contra qualquer ataque russo à soberania ucraniana: “Estamos coordenando profundamente nossa preparação, inclusive no fornecimento de energia, e nas sanções para responder a qualquer nova escalada”, ressaltou Ursula.

Estados Unidos enviam tropas para a Europa

No último sábado, imagens de satélite divulgadas pela agência americana Maxar mostram um aumento da presença de tropas da Rússia na fronteira com a Ucrânia. A agência mostra tanques e equipamentos de artilharia alinhados próximos ao território ucraniano. Os Estados Unidos estimam que a Rússia já conte com 100 mil tropas na fronteira com a Ucrânia:

“Eles são os agressores. Nós estamos trabalhando com os países da OTAN (Organização dos Países do Atlântico Norte) para garantir que eles se sintam seguros neste momento” – afirmou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, por meio de conferência à imprensa nesse final de semana.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, o general Lloyd James Austin III, também confirmou no último final de semana o envio de tropas americanas para o território polonês, que possui fronteira com a Ucrânia, “em apoio aos nossos aliados da Nato (sigla para Organização dos Países do Atlântico Norte (OTAN), em português)”. Ao todo, 2 mil soldados desembarcaram na Polônia.

Dois mil soldados americanos desembarcam na Polônia – Foto: All American Division

Especialista acredita que há baixo risco de conflito entre Rússia e Ocidente

Uma das raízes da atual tensão entre os dois países do leste europeu é a aproximação ou inclinação da Ucrânia para entrada na Otan, que é basicamente uma organização militar composta por, até o momento, 30 países. Dos que fazem fronteira com a Rússia, apenas Estônia e Letônia integram o grupo.

O ingresso da Ucrânia à Organização representaria um aumento de 1,2 mil quilômetros de fronteiras entre a Rússia e a Otan. Além disso, a invasão da península ucraniana da Crimeia pelas forças russas, em 2014, também reforçou o clima de tensão na região.

“O meu entendimento é que não é do interesse da Rússia para que haja uma escalada da violência. (…) O que a Rússia gostaria de alcançar seria uma revisão da ordem. Os russos querem falar com os Estados Unidos” – avalia a professora de Relações Internacionais da Universidade de Coimbra, Raquel Freire, entrevistada pelo Agora Europa.

A especialista lembra ainda que a Rússia é, atualmente, responsável por um terço de todo o abastecimento de gás natural da União Europeia (UE). Um eventual conflito poderia resultar na suspensão de fornecimento ao continente europeu, assim como também causar a exclusão da Rússia ao sistema de pagamentos internacionais Swift (Sociedades de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais). O sistema, segundo a própria plataforma, foi responsável pela realização de transações financeiras em mais de 200 países no ano passado.

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