Em um ano, dobra entrada de refugiados sírios na Europa

Mais de meio milhão de pessoas já foram mortas pela guerra civil da Síria – Foto: Mika Baumeister


A imagem da criança de apenas 3 anos, sem vida, à beira do balneário de Bodrum, na Turquia, ainda ressoa nas fronteiras da Europa. O desespero, a tentativa de fuga e o trágico fim da família do pequeno Aylan Kurdi, em 2015, segue sendo o único e repetido caminho para milhares de sírios. Entre janeiro e junho de 2020, a Agência Europeia de Fronteiras e Guarda Costeira (Frontex, sigla em inglês) contabilizou a entrada de 8.706 refugiados do país árabe.

No mesmo período do ano passado, segundo a Frontex, 4.183 imigrantes cruzaram as fronteiras europeias ilegalmente. O número é metade do total registrado neste ano. O grande movimento migratório entre a Europa e o país árabe, no entanto, começou no segundo semestre do ano passado, com a intensificação dos conflitos civis sob o regime do ditador Bashar al-Assad. Com a abertura das fronteiras turcas no final de fevereiro deste ano, ainda que por poucos dias, milhares de refugiados utilizaram o país como uma porta de entrada à Europa. O episódio provocou uma alteração na forma como os sírios, na luta para fugir da guerra, ingressavam no continente europeu.

Desde 2013, o Mar Mediterrâneo tem sido a principal rota de fuga da população síria à Europa. Nos últimos 5 anos, 740 mil sírios cruzaram as fronteiras europeias ilegalmente, sendo 83% destes (620 mil) pela costa mediterrânea. Depois dos sírios, os afegãos são a segunda nacionalidade com mais entradas de refugiados na Europa, em 2020, somando 5.406 registros da Forex entre janeiro e junho deste ano. Em seguida, aparecem Tunísia (2.777) e Sudão (1.773).

A guerra de quase uma década

Os conflitos na Síria tiveram início em 2011, como reflexo de uma onda de protestos populares contra o líder (presidente) sírio, Bashar al-Assad. As manifestações por reformas e melhorias na condição de vida da população resultaram, no ano seguinte, em um forte movimento de repressão do ditador al-Assad, no poder desde 2000. Dos protestos populares, surgiram dois grupos: o da maioria Sunita e o dos alauítas, corrente religiosa de Bashar. Dos discursos fundamentalistas, surgem grupos extremistas como o Estado Islâmico. Desde o início dos conflitos, a guerra civíl síria já matou 586 mil pessoas, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Destes, 116 mil eram civis, sendo 22 mil crianças.

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