Dublin: corpo de brasileira assassinada será transladado nos próximos dias

Fabíola se mudou com o marido para a Irlanda em 2016. Foto: Reprodução/Facebook


Uma corrente de solidariedade moveu centenas de pessoas nos últimos três dias para levantar fundos destinados ao translado do corpo da brasileira Fabíole Câmara, de 32 anos. A jovem foi vítima de feminicídio em Dublin, na semana passada. Família e amigos da imigrante poderão, nos próximos dias, dar o último adeus para a jovem que havia cruzado o oceano em busca do sonho de conhecer o mundo ao lado do marido e principal suspeito pelo assassinato, Diego Costa, de 30 anos, que está preso acusado pelo crime. 

A iniciativa da “vaquinha on-line”, que já juntou mais de 16 mil euros, foi organizada pela brasileira Dani Loyarte, de 32 anos, e amiga de Fabíole há duas décadas. A imigrante se mudou para a capital irlandesa no início de 2017, seis meses depois que o casal de amigos paulistanos já estava na Ilha da Esmeralda: “Fiquei responsável de reunir esses valores como uma maneira de ajudar a Fabíole, para que a família pudesse ter esse momento de despedida”, relata Dani ao Agora Europa.

De acordo com a imigrante, o corpo deve ser liberado pelas autoridades irlandesas ainda nesta semana. Depois, será dada sequência aos trâmites burocráticos para envio do corpo: “Antes mesmo da vaquinha on-line já tínhamos muitas pessoas querendo doar e ajudar de alguma forma, por isso criamos”, destaca a imigrante.

Dani acredita que a onda de solidariedade se deve ao fato de a jovem assassinada ser amada por muitas pessoas, desde ex-colegas de trabalho do Brasil a amigos em Dublin: “Ela era uma pessoa maravilhosa, muito amável, bondosa e religiosa”, relembra a amiga da vítima, que havia acabado de conseguir a cidadania irlandesa e um emprego na área de Economia, que cursava no Brasil antes de mudar de país para estudar inglês. 

Assim como outros amigos, ela ficou sabendo do assassinato através da imprensa irlandesa: “Quando noticiaram o endereço do crime e ficamos sem contato com eles, eu e alguns amigos começamos a ligar os pontos, até que depois de muitas tentativas a polícia confirmou o caso a um amigo e o interrogou sobre o relacionamento dos dois”, conta Dani, que trabalha em um pub em Dublin e ficou chocada com a confirmação da suspeita. 

Segundo a jovem, a última visualização de Fabíole no Whatsapp havia sido por volta das 23h do dia 3 de novembro, enquanto a de Diego ocorreu horas depois, às 6h11min. De acordo com informações obtidas pela Agora Europa junto à polícia irlandesa, aproximadamente às 6h15min do dia 4 de novembro, as autoridades foram chamadas ao apartamento em que o casal vivia. Fabíola já estava morta com sinais de facadas pelo corpo. Os investigadores confirmam a prisão de Diego e que a investigação segue em andamento. 

“Não sabia da situação”

Dani e Fabíole estavam sem conversar há algumas semanas, por isso, a amiga não sabia de nenhuma situação incomum: “Ela falou pra mãe dela que não corria nenhum risco”, pontua a brasileira. Diego, que estava desempregado após passar por empregos em diferentes áreas, havia sido internado em um hospital psiquiátrico na semana do crime. 

De acordo com Dani, o acusado fugiu do local dois dias antes do feminicídio: “Acho que ela acreditou que não corria risco e que iria cuidar dele como sempre fez. A Fabíole era uma pessoa muito religiosa”, argumenta a imigrante.

Segundo a entrevistada, a amiga não relatou nenhuma situação de perigo: “Se eu soubesse, faria de tudo pra tirar ela daquele ambiente e incentivado ele a continuar o tratamento”, desabafa Dani. Ainda conforme a brasileira, a única reclamação da vítima era de que o marido consumia maconha e que, por causa da religião evangélica que seguia, queria que ele deixasse de usar: “Ela tinha o sonho de ter filhos no futuro, depois de viajar o mundo e se mudar com o marido para um país mais quente”, explica a amiga.

Como forma de alerta, a imigrante reforça a importância de avisar às pessoas de confiança ou autoridades em casos de qualquer tipo de violência: “Talvez a gente fica achando que é só um momento, pensa que nunca vai acontecer nada com a gente ou não avisa até mesmo por vergonha, como acho que foi com a Fabíole”, destaca a brasileira.

Onde buscar ajuda

Clique no link abaixo para ter acesso a um mapa com instituições espalhadas por diferentes países da Europa que auxiliam mulheres vítimas de violência.

Saiba onde pedir ajuda

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