Polícia francesa vai checar à domicílio quarentena de viajantes do Brasil

Os voos entre Brasil e França, suspensos desde o dia 14 de abril, serão retomados a partir deste sábado (24). Junto deles, um novo pacote – reforçado – de restrições contra a propagação do coronavírus será aplicado aos viajantes essenciais brasileiros que desejam entrar no território francês. Dentre as novas medidas está uma quarentena obrigatória de 10 dias, que será fiscalizada pelas polícias francesas diretamente nos locais de isolamento.

O local de quarentena deverá ser apresentado ainda antes do embarque, por meio de um comprovante de residência ou reserva de hotel. As companhias aéreas ficarão responsáveis pela checagem e poderão rejeitar a viagem de um passageiro, caso o local seja considerado inadequado às exigências sanitárias do governo francês, como permitir o completo isolamento e o acesso das forças de segurança para fins de controle.

“Os policiais irão ao domicílio, ou ao hotel que a pessoa declarou, para verificar se está sendo respeitado o isolamento”, explicou o ministro do Interior da França, Gérald Darmanin, em coletiva de imprensa na noite desta quinta-feira (22). Os recém-chegados no país terão a possibilidade de sair do isolamento por um curto período diário, entre as 10h e o meio-dia, para compras e outras atividades essenciais. Caso a quarentena seja desrespeitada, uma multa entre mil e 1,6 mil euros poderá ser aplicada.

Além do isolamento, um rigor maior na apresentação de testes contra a Covid-19 também será colocado em prática. A partir de sábado, para embarcar do Brasil, ou de um dos outros quatro países considerados de risco para o governo francês – Argentina, Chile, África do Sul e Índia – o passageiro deverá apresentar um teste PCR negativo realizado menos de 36h antes da viagem ou um teste PCR de menos de 72h, acompanhado de um teste antigênico de menos de 24h, ambos negativos. Um novo teste antigênico será realizado na chegada em solo europeu. As medidas também serão aplicadas aos viajantes oriundos da Guiana Francesa.

Gérald Darmanin esclareceu que as viagens entre a França e os cinco países de risco seguem restritas a motivos essenciais e que apenas residentes na França poderão ingressar no país: “Apenas cidadãos franceses e europeus tendo residência principal na França poderão entrar no território nacional”, especificou.

Relaxamento de restrições

A coletiva de imprensa desta quinta-feira (22) teve início com a fala otimista do primeiro-ministro francês Jean Castex, que revelou um recuo da pandemia no país: “A situação sanitária está melhorando”, disse. O governo aproveitou para anunciar o relaxamento de algumas das restrições contra o avanço do coronavírus, como havia sido previsto pelo presidente Emmanuel Macron há três semanas.

As escolas primárias, maternais e creches retornarão às aulas presenciais na próxima segunda-feira, dia 26 de abril. Para isso, o governo promete colocar em prática um protocolo “muito rigoroso”, que conta com a aplicação de 400 mil testes salivares para detecção da Covid-19 nos estabelecimentos escolares na próxima semana. Caso ocorra um caso positivo, a classe será fechada imediatamente.

Ainda dentro do cronograma de reabertura, a partir de 3 de maio, deve ocorrer o retorno das aulas nas escolas de ensino médio, assim como a retirada da proibição de viagens entre as regiões francesas. O toque de recolher, que segue em vigor em todo o país, das 19h às 6h, será reavaliado, mas está mantido “até segundo ordem”, segundo Castex.

Para “meados de maio”, a expectativa do governo francês é de retomar as atividades culturais e esportivas e reabrir o comércio não essencial, assim como os terraços de cafés e restaurantes. A lista dos locais que poderão reabrir, no entanto, ainda “não está fixada definitivamente”, de acordo com o primeiro-ministro, e será avaliada conforme a evolução da pandemia no país.

Aplicação da vacina da Johnson & Johnson

O ministro da Solidariedade e da Saúde, Olivier Véran, confirmou que a vacina da farmacêutica Johnson & Johnson começará a ser aplicada em território francês a partir deste sábado (24). O imunizante será reservado às pessoas com idade acima dos 55 anos, após problemas de coágulos sanguíneos terem sidos registrados em pessoas que haviam sido vacinadas. Véran também explicou que o novo imunizante se diferencia dos outros três já em uso na França, pois necessita de apenas uma dose.

Em relação à aplicação da vacina AstraZeneca, o ministro da Saúde mais uma vez saiu em defesa do uso e revelou que 75% das doses recebidas no país já foram aplicadas, totalizando 50 mil franceses vacinados com o produto do laboratório sueco-britânico. O ministro explicou ainda que os problemas relacionados a coágulos sanguíneos são realmente “muito raros”, em média “5 casos para 1 milhão de pessoas vacinadas”, pontuou.

Véran foi ainda mais longe em seu discurso. O ministro fez uma comparação para exemplificar o quão seguro é o imunizante da AstraZeneca: “Se você pegar um avião para atravessar o Atlântico, você terá igualmente um risco de sofrer uma trombose, porque você estará sem se movimentar. Esse risco é 50 vezes maior do que se você se vacinar com a AstraZeneca”, revelou.

Até a noite desta quinta-feira, 13.247.089 pessoas já haviam recebido a primeira dose dos imunizantes contra a Covid-19, na França. Destes, 5.013.963 receberam as duas doses e estão imunizados contra a doença.

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