Jornalista
*Colaboração de Diego Weiler, de Paris
A Prefeitura de Paris confirmou, no início da tarde de hoje (23), a terceira morte causada pelo ataque a tiros a uma comunidade curda na região central da capital francesa. Os assassinatos estão sendo atribuídos a um ativista de extrema-direita, conforme declarou a prefeita da cidade, Anne Hidalgo, pelas redes sociais.
Um homem de 69 anos, detido logo após os ataques, é o principal suspeito do crime, que teve como alvo o Centro Cultura Curdo Ahmet Kaya, localizado no 10° Distrito de Paris. O Conselho Democrático Curdo na França (CDK-F) confirmou que as três vítimas fatais eram ativistas curdos. Além dos assassinados, uma pessoa também ficou gravemente ferida, e outras três tiveram lesões menos graves, incluindo o suspeito do crime.
“A comunidade curda e, através dela, todos os parisienses, foi alvo desses assassinatos cometidos por um ativista de extrema-direita. Os curdos, onde quer que residam, devem poder viver em paz e segurança. Mais do que nunca, Paris está ao seu lado nestes tempos sombrios”, lamentou Anne Hidalgo.
Protesto
Após o ataque, o CDK-F convocou um protesto em frente ao local do crime Rua d’Enghien, em Paris. O pedido foi atendido por manifestantes que, durante a tarde, realizaram um ato contra os ataques à comunidade curda na capital francesa.
Durante o protesto, vias foram bloqueadas com fogueiras formadas por galhos de árvores e outros objetos de madeira. Também houve confronto entre os manifestantes e a polícia francesa, com objetos sendo lançados contra as forças de segurança e bombas de gás lacrimogêneo na direção dos participantes do ato.
Histórico de ataques
O crime registrado neste sábado em Paris ocorre quase 10 anos após outro ataque que também teve a comunidade curda como alvo. Em janeiro de 2013, três mulheres e ativistas curdas foram assassinadas na capital francesa. O CDK-F afirma que os responsáveis pelo crime “ainda permanecem impunes”. As três vítimas eram vinculadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
