Após pressão de médicos, França suspende todos os voos do Brasil

Brasileiros residentes em França e Portugal serão os principais prejudicados.
Foto: Canva

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, suspendeu todos os voos entre o Brasil e a França, em discurso realizado na tarde desta terça-feira (13), no Parlamento do país. O anúncio ocorre depois de pressão de médicos franceses, que exigiram medidas mais duras para passageiros que embarcam em território brasileiro.

A situação é “absolutamente dramática”, pontuou Castex, referindo-se ao momento atual da pandemia no Brasil. O ministro não informou o prazo da nova medida, apenas mencionou que ela fica em vigor “até nova ordem”.

Além de prejudicar os brasileiros que residem na França, a suspensão dos voos irá afetar a principal rota de passageiros que retornam do Brasil para Portugal, país que proibiu os voos diretos ainda no final de janeiro.

As autoridades francesas temem que a variante brasileira, chamada de P1, possa desencadear uma quarta onda da Covid-19 na França. A variante inglesa é atualmente majoritária no país e considerada pelas autoridades de saúde como uma das razões da explosão de infecções da terceira onda da doença em território francês.

Ironicamente, o Ministro dos Transportes, Jean-Baptiste Djebbari, havia dito, nesta segunda-feira (12), que os voos entre os dois países não poderiam ser suspensos “em nome da liberdade de circulação”. O anúncio de Djebbari não suportou a pressão de um grupo de médicos franceses, que desde o último sábado iniciaram uma campanha nas redes sociais por medidas mais rígidas aos viajantes oriundos do Brasil.

Ainda em seu discurso ao Parlamento nesta tarde, Jean Castex respondeu as diversas críticas em relação à atuação do governo no combate à pandemia. Falando especificamente da questão dos voos provenientes do Brasil, ele relembrou as medidas que já estavam em vigor desde janeiro, como a restrição a viagens de motivos essenciais e os testes PCR no embarque e na chegada na França.

O primeiro-ministro subiu o tom ao dizer que o governo deixou, sim, de tomar uma ação no combate à pandemia, que foi a de dar ouvidos a uma parte dos deputados que pedia o uso da hidroxicloroquina no tratamento dos pacientes com Covid-19: “Há uma coisa que nós não fizemos que foi seguir vossa recomendação, que vocês escreveram ao Presidente da República, em 2020, por lhe aconselhar a prescrever a hidroxicloroquina. Eu informo a vocês que o Brasil é o país que mais a prescreveu”, ironizou.

Castex também aproveitou a oportunidade frente aos deputados para anunciar que as eleições regionais e departamentais serão atrasadas em uma semana em todo o país. Agora, elas devem ocorrer nos dias 20 e 27 de junho.

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