Imigrantes são mais qualificados que europeus em postos de trabalho iniciais

Pesquisa da Eurostat analisa a qualificação de trabalhadores em atividades profissionais que não exigem ensino superior. Foto: Canva

Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) pelo Escritório de Estatísticas da União Europeia (Eurostat, sigla em inglês) mostra que trabalhadores imigrantes são mais qualificados do que cidadãos nacionais nas atividades profissionais em que atuam. De acordo com o estudo, que se baseia na atividade do mercado em 2020, a taxa de “qualificação superior” para trabalhadores não europeus foi de 41%, enquanto que para cidadãos nacionais o índice foi de 20,8%

Trabalhadores “superqualificados”, segundo o levantamento, são aqueles que possuem nível educacional superior (níveis 5-8), conforme definido pela classificação internacional padrão de educação (CITE), mas que trabalham em ocupações de baixa ou média qualificação, “para os quais não é necessário um nível superior de realização educacional”, aponta a Eurostat. A categorização dos tipos de atividades profissionais é definida pela classificação internacional padrão de ocupações (ISCO).

O levantamento da Eurostat indica ainda que, ao comparar cidadãos nacionais, ou seja, trabalhadores que nasceram no país analisado, com aqueles que são de outros territórios da União Europeia (UE), os imigrantes também são maioria. Cidadãos superqualificados de outros países da UE representam, em média, 32,3% da mão de obra nos postos de trabalho analisados, se comparados com os nacionais (20,8%).

A Grécia lidera o ranking como o país que possui a taxa mais elevada de imigrantes superqualificados e que não pertencem à UE, 71,6%, seguida pela Itália (66,5%), Espanha (57,1%) e Chipre (55,9%). Na comparacão entre trabalhadores nacionais ou cidadãos de outros Estados-Membros da UE, as porcentagens mais elevadas de trabalhadores superqualificados foram registrados na Itália (47,8%), Chipre (47,7%) e Espanha (47,2%). A taxa mais delevada de cidadãos nacionais sobrequalificados foi contabilizada na Espanha (34,5%), Chipre (30,5%) e Grécia (30,4%), respectivamente.

Mulheres são mais propensas a serem superqualificadas, independentemente da cidadania

Uma comparação das taxas de superqualificação entre os gêneros revela que existe uma disparidade na União Europeia, considerando os três tipos de cidadania. No ano passado, “a taxa de sobrequalificação entre os nacionais era 1,0 ponto percentual maior para as mulheres do que para os homens; a disparidade entre os sexos era maior para os cidadãos de outros Estados-Membros da UE e para os cidadãos de países terceiros (6,0 pontos e 6,4 pontos, respetivamente)”, diz o relatório da Eurostat.

O mesmo estudo aponta que os índices de de superqualificação para cidadãos de fora da UE ou de outros Estados-Membros do bloco são superiores entre o grupo etário mais velho, cuja idade vai dos 35 ao 64 anos, se comparados com os jovens de 20 a 34 anos, enquanto a situação para os nacionais era inversa.

“A taxa de sobrequalificação para os cidadãos não europeus mais velhos era 9,4 pontos percentuais superior à taxa correspondente para os cidadãos não europeus mais jovens. Para os cidadãos de outros Estados-Membros da UE, esta diferença era inferior em 2,2 pontos percentuais”, aponta o relatório.

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