Polônia mantém reforço de soldados na fronteira com a Bielorrússia


O governo polonês manteve, nesta terça-feira (9), o reforço de soldados na região da fronteira com a Bielorússia. Na segunda-feira (8), mais 12 mil militares foram enviados ao local, com objetivo de auxiliar a segurança após imigrantes tentarem entrar no país sem visto. O primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, visitou o local na manhã de hoje.

Morawiecki conversou com os militares e afirmou que “a fronteira da Polônia é também a fronteira da União Europeia’’. Em publicação no Twitter, o chefe de Estado destacou que as fronteiras serão mantidas fechadas: “Selar a fronteira polonesa é nosso interesse nacional. Mas hoje a estabilidade e a segurança de toda a UE estão em jogo’’, escreveu. Mateus ainda classificou a situação como “um ataque híbrido de Lukashenko [presidente da Bielorrúsia] que visa a todos nós’’.

A Comissão Europeia também acusa o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, de facilitar o fluxo de refugiados para a área de divisa, como forma de retaliação às diversas sanções impostas pelas autoridades europeias. As penalidades ocorreram após o líder, que está no poder há 26 anos, ter sido reeleito, no ano passado, em meio a denúncias de fraude eleitoral, prisões arbitrárias, além de intimidação e violência contra jornalistas. O chefe de Estado bielorrusso nega publicamente as acusações.

“A instrumentalização de imigrantes para fins políticos pela Bielorrússia é inaceitável”, declarou Ursula von der Leyen em comunicado oficial divulgado ontem (9). O governo polonês divulgou documento com afirmações semelhantes: “Ao criar uma rota de migração artificial e explorar os migrantes cinicamente, Lukashenko está tentando desestabilizar a Polônia, e forçar a União Europeia a suspender as sanções impostas ao regime de Minsk’’, destaca o trecho da nota oficial.

Como forma de combater a situação, a presidente da Comissão Europeia afirmou que tentará banir as companhias aéreas de países terceiros “que atuam no tráfico de pessoas’’. Ainda de acordo com Ursula, o vice-presidente da comissão, Josep Borrell, deverá viajar para “os principais países de origem e trânsito para garantir que eles atuem para evitar que seus próprios nacionais caiam na armadilha estabelecida pelas autoridades bielorrussas’’.

“Resolução urgente”

A Agência das Nações Unidas para Refugiados e a Organização Internacional para Migrações (OIM), em nota conjunta divulgada nesta terça-feira (9), pediram “uma resolução urgente” da situação e “acesso imediato e sem obstáculos” para que seja garantida assistência humanitária aos imigrantes. Segundo o documento, as equipes podem garantir “que aqueles que precisam de formas internacionais ou outras formas de proteção sejam identificados e aqueles que desejam solicitar asilo possam fazê-lo onde estão”.

A Comissão Europeia também havia demonstrado preocupação com as pessoas acampadas na fronteira, onde estão, entre outros, mulheres e crianças: “a Comissão explorará com a ONU e suas agências especializadas como evitar que uma crise humanitária se desenvolva e trabalha para que os migrantes possam ser devolvidos com segurança ao seu país de origem, com o apoio de suas autoridades nacionais”, reforçou no comunicado. 

Conflitos

De acordo com o gabinete do primeiro-ministro da Polônia, as fortificações que separam a fronteira entre os dois países foram destruídas por imigrantes em conflitos registrados na segunda-feira (8). As autoridades também reportaram ataques diretos aos guardas que fazem a segurança no local. 

A polícia declarou, nas redes sociais, que os grupos que comandam a ofensiva são liderados pelos bielorrussos. Segundo o último relatório divulgado pelo órgão de defesa, somente na última segunda-feira (8), mais de 300 pessoas foram flagradas tentando entrar ilegalmente no território. Seis prisões foram efetuadas.

O presidente polonês, Andrzej Duda, convocou uma reunião de emergência para discutir possíveis soluções para o conflito, que progride desde o início da crise migratória, em 2015. Atualmente, uma cerca de arame farpado e as tropas polonesas são o único empecilho para a travessia dos milhares de refugiados. Está pendente a aprovação de um projeto de 347 milhões de euros para a construção de uma barreira na fronteira, que deve diminuir o fluxo migratório.

Compartilhar

2 Comments

Comments are closed.