Dinamarca é o primeiro país europeu a excluir uso da vacina Johnson & Johnson

Mesmo excluídas da campanha nacional de vacinação, a população pode solicitar a aplicação da vacina J&J – Foto: Canva


O Ministério da Saúde dinamarquês decidiu, nesta segunda-feira (3), excluir a vacina contra Covid-19 da Johnson & Johnson (Janssen) do programa nacional de imunização. A decisão adotada pelo governo danês é baseada no raro efeito colateral relacionado à esta vacina, que pode provocar coagulação sanguínea.

No mês passado, a Dinamarca também já havia excluído da campanha de imunização o uso das vacinas AstraZeneca: “(…) o que estamos perdendo atualmente na prevenção de doenças graves na situação muito específica da Dinamarca, não pode compensar o risco de possíveis efeitos colaterais na forma de coágulos sanguíneos graves nos vacinados. É preciso lembrar que, no futuro, vamos antes de mais nada vacinar os jovens saudáveis ​”, afirmou a diretora Adjunta do Conselho Nacional de Saúde, Helene Probst, por meio de comunicado oficial.

Ainda na tarde desta segunda-feira, o Ministério da Saúde dinamarquês afirmou que residentes do país que desejarem, por decisão própria, tomar as vacinas da Janssen ou da AstraZeneca poderão solicitar a aplicação, que será executada gratuitamente e fora da ordem da atual campanha nacional de vacinação. Atualmente, 23% da população danês já recebeu, pelo menos, uma dose das vacinas contra Covid-19 e 11,5% está totalmente imunizada, segundo o Instituto Statens Serum. Quase toda população acima dos 65 anos já foi imunizada ou possui a aplicação da primeira dose agendada para os próximos dias no território dinamarquês.

A Dinamarca já aplicou 1,37 milhão de vacinas contra Covid-19 desde o início da campanha de imunização, em dezembro do ano passado. Os imunizantes da Pfizer-BioNTech representam 82% das doses aplicadas, seguidos das vacinas da AstraZeneca (11%) e da Moderna (7%).

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EMA constatou possível relação entre vacinas da J&J com coagulação sanguínea

  • No dia 9 de abril deste ano, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) decidiu investigar a vacina contra Covid-19 da Johnson & Johnson após relatos de quatro casos de coágulos sanguíneos graves nos Estados Unidos. Naquela época, a vacina ainda não havia sido usada na Europa.
  • No dia 13 de abril, as autoridades norte-americanas decidiram suspender o uso da vacina da Johnson & Johnson. Ao mesmo tempo, o fabricante optou por suspender as entregas para os países da UE, bem como recomendar aos países que já haviam recebido entregas que se interrompessem o uso da vacina enquanto o estudo estiver em andamento. A Dinamarca, portanto, optou por esperar para usar a vacina.
  • A EMA anunciou em 20 de abril de 2021 que uma provável ligação foi encontrada entre a vacina da Johnson & Johnson e coágulos sanguíneos raros, mais graves, que também foram observados após o uso da vacina AstraZeneca. No entanto, orientou a EMA, a vacina da Johnson & Johnson ainda pode ser usada. Na mesma data, a fabricante americana anunciou que retomaria o fornecimento da vacina na União Europeia.
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