UEFA promete excluir de competições clubes que participarem da ‘Super Liga’

Palcos como o Camp Nou, do Barcelona, podem ficar de fora de competições nacionais e internacionais e jogadores do clube serem impedidos de defender suas seleções na Copa do Mundo, de acordo com comunicado da entidade europeia de futebol. Foto: Alessio Patron

Doze clubes europeus oficializaram, na madrugada desta segunda-feira (19), a criação da Super Liga, uma nova competição futebolística que surge como concorrente da Liga dos Campeões da Europa, organizada pela UEFA. Como era de se esperar, a entidade europeia não aprovou a iniciativa e, juntamente com a FIFA e seis confederações, ameaçou banir das competições nacionais e internacionais os clubes envolvidos na criação do novo torneio.

“Conforme previamente anunciado pela FIFA e as seis Confederações (English FA, RFEF, FIGC, Premier League, La Liga, Lega Serie A), os clubes em questão serão banidos de jogar em qualquer outra competição a nível nacional, europeu ou mundial, e seus jogadores podem ser impedidos de representar suas seleções nacionais”, avisa a nota da UEFA.

Os doze clubes envolvidos são: os espanhóis Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid; os italianos Milan, Juventus e Internazionale; e os ingleses Liverpool, Manchester United, Arsenal, Chelsea, Manchester City e Tottenham. De acordo com o comunicado dos clubes, eles ainda procuram mais três integrantes para formar o grupo de times fundadores.

A Super Liga será formada, então, pelos 15 clubes fundadores e outras cinco equipes adicionais que se classificam anualmente de acordo com o rendimento na temporada anterior. Sob o argumento de que o público deseja assistir anualmente o enfrentamento destes grandes clubes europeus, Florentino Pérez, Presidente do Real Madrid e da Super Liga, disse que a competição irá “ajudar o futebol em todos os níveis” e que é uma “responsabilidade” dos grandes clubes de responder “aos desejos dos torcedores”, defendeu.

O ponto controverso, que tem gerado críticas fortes de personalidades do mundo esportivo, é que o formato da competição limitaria a ascensão de pequenos e médios clubes ao topo das competições europeias. Além disso, favoreceria economicamente, ainda mais, os já ricos clubes fundadores, que, no entanto, têm encontrado dificuldades recentemente para alcançar as fases finais da Liga dos Campeões.

O ex-futebolista português Luís Figo, Melhor Jogador do Mundo em 2001, que passou por Barcelona, Real Madrid e Internazionale, clubes envolvidos na Super Liga, chamou o movimento de “ganancioso e insensível” e de um “completo desrespeito com o mérito esportivo”, em desabafo postado no Twitter nesta segunda-feira (19): “um desastre para as nossas bases, para o futebol feminino e para a comunidade do futebol em geral, apenas para servir aos próprios interesses dos donos, que pararam de se preocupar com seus torcedores há muito tempo”, continuou.

Em seu comunicado, a UEFA também agradeceu aos clubes de outros países, “especialmente os clubes franceses e alemães, que se recusaram a assinar”. A entidade fez ainda um apelo “a “todos os amantes do futebol, torcedores e políticos”, a juntarem-se “na luta contra este projeto”.

 

Leia Mais
– Fronteira entre Portugal e Espanha segue fechada até 1° de maio
– Grupo de brasileiros pede que governo autorize reunião familiar na Irlanda
– França prorroga suspensão de voos do Brasil até 24 de abril

Compartilhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.