Vistos para imigrantes caem 85% no Reino Unido após Brexit, aponta Oxford

Um levantamento realizado pelo Observatório de Migração da Universidade de Oxford, divulgado hoje (15), aponta para um queda brusca no número de vistos de longa-duração concedidos a imigrantes no Reino Unido após o Brexit. Enquanto em 2019 a terra da rainha ofereceu 270 mil permissões para imigrantes permanecerem no território por 12 meses ou mais; em 2021, quando já não havia mais o acordo de livre circulação entre os territórios britânico e da União Europeia (UE), esse número caiu para 42.7 mil. A redução é de 85% entre os dois períodos.

Os pesquisadores da universidade inglesa afirmam que o Brexit impôs uma barreira para a contratação de trabalhadores da UE para atividades de baixo grau técnico: “O sistema de imigração pós-Brexit liberalizou o acesso ao mercado de trabalho do Reino Unido para cidadãos de fora da UE, mas introduziu requerimentos para conceder vistos aos cidadãos da UE, que anteriormente podiam trabalhar em qualquer emprego. Como resultado, as ocupações de baixos salários que dependem fortemente de trabalhadores da UE agora não são elegíveis para vistos de trabalho” – reforça o estudo.

No ano passado, o visto de estudos foi o mais concedido no Reino Unido, com 17.315 autorizações ao todo. Em seguida, com 10.509, aparecem os fornecidos aos trabalhadores com qualificações específicas.

Veja os tipos de vistos mais concedidos no Reino Unido após o Brexit

O acordo de livre circulação entre trabalhadores do Reino Unido e da União Europeia chegou ao fim em dezembro de 2020 com a entrada em vigor do Brexit, nome dado ao processo de saída dos britânicos do bloco europeu. Com a mudança, por exemplo, empregadores da terra da rainha passaram a só poder contratar trabalhadores da UE que estão elegíveis para vistos de trabalho.

De acordo com o estudo da Universidade de Oxford, a "maioria dos cidadãos da UE recém-recrutados para trabalhar no Reino Unido deve se qualificar para vistos de trabalhador qualificado", cujo qual exige que o profissional receba um salário de pelo menos 25.600 libras por ano. O nível educacional do trabalhador também é levado em consideração.

Hospitalidade e suporte são as áreas mais afetadas pela falta de trabalhadores

Sem poder contratar trabalhadores com baixo grau técnico, muitas industrias estão tendo de lidar com a escassez de mão de obra no Reino Unido. Segundo o Observatório de Migração, o setor de hospitalidade - que inclui, por exemplo, trabalhadores de hotelaria, pubs, restaurantes e lojas - é o que mais sofre com a falta de candidatos para preencher as vagas disponíveis. De junho de 2019 ao mesmo mês de 2021, o setor perdeu 98 mil trabalhadores.

O segmento de administração e suporte também teve queda considerável no mesmo período. Nos dois anos analisados, o número de profissionais trabalhando na área reduziu em 64 mil pessoas.

Maior falta de trabalhadores em 20 anos

No final do ano passado, o Gabinete Nacional de Estatísticas do Reino Unido reportou o número recorde de vagas de trabalho não preenchidas no território britânico: 1,2 milhão ao todo. O total considerou apenas o trimestre de setembro a novembro de 2021.

Além disso, o Gabiente também confirmou que o Reino Unido sofreu uma queda de mão de obra de 466 mil pessoas entre setembro de 2020 e o mesmo mês do ano seguinte, sendo quase metade (201 mil) de jovens entre 16 e 24 anos.

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