União Europeia expulsa 19 diplomatas russos e impõe novo pacote de sanções

Autoridades da UE aumentaram as sanções contra a Rússia. Foto: Comissão Europeia


A União Europeia (UE) expulsou, nesta terça-feira (5), 19 diplomatas russos que trabalhavam na sede da instituição em Bruxelas, na Bélgica. A decisão faz parte de um novo pacote de sanções contra a Rússia devido à invasão ao território ucraniano. O número de profissionais expulsos foi confirmado ao Agora Europa pela assessoria de imprensa do departamento de Relações Exteriores e Política de Segurança da UE.

De acordo com o Alto Representante da UE para Relações Exteriores, Josep Borrell, a expulsão ocorre pelo exercício de “atividades contrárias ao seu (do bloco) estatuto diplomático” e por violações da Convenção de Viena sobre as relações diplomáticas: “A União Europeia está a agir em resposta às ações ilegais e perturbadoras de membros designados da Missão Russa contra os interesses e a segurança da UE e dos seus Estados-Membros”, destaca o comunicado. 

Serão revogados “os privilégios e imunidades” dos diplomatas e eles serão obrigados a abandonar o território belga. Os 19 profissionais, no entanto, não são os únicos a receberem esse tipo de sanção nas últimas semanas. No final da tarde de hoje (5), Portugal expulsou 10 funcionários da missão diplomática russa que atuam no país, dando prazo de duas semanas para abandonarem o território. A Espanha também decidiu, nesta terça, ordenar que um grupo de 25 profissionais russos que atuam na embaixada deixassem o país.

Na noite de segunda-feira (4), a Alemanha e a França anunciaram decisões semelhantes, mas sem divulgar o número exato de representantes expulsos. Ambos os países destacaram, em comunicados, que a atuação dos diplomatas russos são “contrárias aos interesses de segurança” e que a ação faz parte de uma abordagem europeia. No final de março, cerca de 50 diplomatas de diversos países, como Bélgica, Holanda, Irlanda e República Tcheca já haviam sido considerados “persona non grata” e foram notificados a deixarem os cargos. O levantamento foi realizado pela equipe do Agora Europa.

Outras sanções

Além da decisão que afeta os profissionais russos, a Comissão Europeia anunciou um novo pacote de sanções econômicas contra a Rússia. Os navios russos ou operados pelo país serão proibidos de acessar os portos da UE. Haverá apenas exceções para itens considerados essenciais, como produtos agrícolas, alimentos, ajuda humanitária e energia.

Também será imposta uma proibição de importação de carvão da Rússia. A direção do bloco estima que a medida significará uma perda de 4 bilhões de euros anuais: “Isso cortará outra importante fonte de receita para a Rússia”, declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Empresas russas também não poderão participar de contratos públicos nos 27 Estados-Membros: “O dinheiro dos impostos europeus não deve ir para a Rússia de qualquer forma ou forma”, acrescentou a líder do bloco. As medidas hoje anunciadas também miram nos bancos. Quatro empresas, incluindo o VTB, considerado a segunda maior instituição bancária do país, terão as transações impedidas na UE. 

As mais recentes sanções ocorrem após a investigação do assassinato de civis em Bucha, região próxima de Kiev, capital ucraniana: “Todos vimos as imagens horríveis de Bucha e de outras áreas de onde as tropas russas deixaram recentemente”, afirmou a presidente da comissão, classificando a ação como “crime hediondo” e “atrocidades”.

Segundo von der Leyen, a situação “não pode e não vai ficar sem resposta”. Uma equipe de investigação da UE foi criada para apoiar a Ucrânia na coleta de provas de crimes de guerra e crimes contra a humanidade que tenham sido praticados no país.

Compartilhar