União Europeia: companhias aéreas têm menor tripulação em 14 anos


No primeiro trimestre deste ano, período marcado pelo início da redução das restrições de viagem por causa da pandemia de Covid-19, as companhias aéreas que operam na União Europeia (UE) registraram o menor número de profissionais dos últimos 14 anos, segundo aponta o Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat, sigla em inglês). De acordo com o documento divulgado nesta quarta-feira (10), os três primeiros meses de 2022 tiveram 325.600 trabalhadores na área em todo o continente, com uma considerável diminuição de jovens contratados pelas empresas do setor.

“A crise da Covid-19 introduziu efeitos de longo alcance na economia, com o transporte aéreo, em particular, duramente atingido por um declínio nos passageiros. As companhias aéreas e empresas associadas reduziram o número de seus empregados em conformidade, com os trabalhadores mais jovens particularmente afetados”, explica o relatório.

Segundo a Eurostat, a redução no número de funcionários com idade entre os 15 e 39 anos nas companhias aéreas foi de 83 mil desde 2008. O número representa uma perda de 5,9 mil profissionais nesta faixa etária por ano. Na comparação do primeiro trimestre de 2019 com o mesmo período de 2022, foi verificada uma diminuição de 63.500 jovens colaboradores nas companhias aéreas europeias.

Por outro lado, houve um aumento na contratação de trabalhadores entre os 40 e 64 anos. De acordo com o documento, são 33.700 profissionais a mais do que em 2008. No entanto, houve redução de 21.300 trabalhadores nesta faixa etária entre o primeiro semestre de 2019, antes da pandemia, com o mesmo período deste ano.

Ainda segundo a Eurostat, desde 2008, os homens representam maioria no setor. Nos primeiro seis meses de 2022, 58% da força de trabalho nas companhias aéreas era formada pelo sexo masculino.

Atrasos e cancelamentos nos aeroportos

Com o fim da maioria das restrições na União Europeia nesta primavera e verão, diversos aeroportos, principalmente nas capitais europeias, tiveram longas filas, atrasos e cancelamentos de voos. O Aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, um dos maiores do continente, limitou o número de passageiros por companhias aéreas para evitar mais atrasos.

“Schiphol e as empresas de segurança estão trabalhando com todas as suas forças para reter funcionários e atrair e treinar novos funcionários”, destaca o comunicado publicado em junho. Desde maio, o aeroporto holandês enfrentou dificuldades de atendimento aos passageiros, provocando longas filas e atrasos de voos.

Além disso, o verão europeu tem sido marcado por estados de greve no setor em vários países. Nas últimas semanas, a Bélgica, Espanha e França, por exemplo, tiveram paralisações de funcionários das companhias aéreas. No território espanhol, funcionários da Ryanair iniciaram, nesta semana, um estado de greve que vai durar até janeiro de 2023.

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