Preço do pão aumenta 18% na UE e Hungria é o país com maior alta


O pão, alimento que faz parte da dieta da maioria da população, teve um aumento médio de 18% em agosto na União Europeia (UE), na comparação com o mesmo período de 2021. A subida é 15% maior do que o registrado em agosto do ano passado, se comparada com 2020.

De acordo com os dados do Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat, sigla em inglês), divulgados nesta segunda-feira (19), o aumento nos preços é uma das consequências da invasão russa no território ucraniano. Tanto a Rússia como a Ucrânia são países que exportam grande volume de cereais, o que impacta diretamente nos preços de produtos como o pão, óleo de girassol, entre outros. 

O aumento nos valores varia conforme cada país. A Hungria, que faz fronteira com a Ucrânia, é o Estado-Membro que teve o maior valor, com uma subida de 66% no preço do alimento. Outros territórios do leste europeu, como Lituânia (33%), Estônia e Eslováquia (ambos com 32%), aparecem na sequência do ranking. 

Por outro lado, países que dependem menos da importação de trigo, como a França, tiveram uma alta de 8%, abaixo da média europeia. Luxemburgo e Holanda também foram menos impactados, com subida de 10% nos preços do pão. Em Portugal, o aumento foi de 15%. 

Inflação na Europa

A invasão russa ao território ucraniano desencadeia uma série de consequências econômicas em todo o continente. O Índice de Preços do Consumidor (IPCA) bateu um novo recorde na zona do euro em agosto, chegando a 9%. Neste mês, o Banco Central Europeu elevou a taxa de juros novamente, em uma tentativa de controlar a inflação.

Outro problema é a alta no preço da energia, combustíveis e gás natural, uma vez que a UE importa grandes quantidades de gás da Rússia. Diversos países europeus como Áustria, Alemanha, França, Portugal e Reino Unido anunciaram medidas como diminuição dos impostos, auxílios financeiros diretos para a população arcar com o aumento no preço das contas dos serviços essenciais. 

Enquanto o restante da Europa lida com as consequências econômicas da guerra, o povo ucraniano enfrenta o mesmo problema de aumento nos preços, com adição da insegurança causada pelas batalhas no território há quase sete meses: “A guerra na Ucrânia está devastando um país e arrastando para baixo a economia global”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres.

Segundo a organização, mais de 5,7 mil civis já morreram na guerra, enquanto outras 8,2 mil ficaram feridas. No entanto, a organização estima que os números sejam ainda maiores: “Como dissemos repetidamente, sabemos que os números reais provavelmente são consideravelmente maiores”, explicou Matilda Bogner, chefe da Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU.

Na semana passada, o governo ucraniano afirmou que encontrou 400 corpos na cidade de Izium, que acabou de ser reconquistada após ter sido tomada pelos russos: “Quantos ucranianos torturados existem é desconhecido. Quantos mais do nosso povo devem morrer para que todos finalmente descobrissem?”, disse Volodymyr Zelenskyy, presidente ucraniano. A região onde os corpos foram encontrados fica no leste do país.

Uma série de sanções econômicas já foram impostas à Rússia pela UE, Reino Unido e outras nações. Recentemente, o Conselho Europeu também aprovou mudanças no acordo de facilitação de vistos para cidadãos russos, que devem enfrentar mais dificuldades burocráticas para obter um visto e visitar os países do bloco.

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